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Ratinho investigado após comentários contra Erika Hilton e mulheres trans
O apresentador Ratinho está sob investigação e enfrenta uma ação judicial devido a declarações feitas sobre a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e mulheres trans durante seu programa no SBT. A parlamentar acionou o Ministério Público de São Paulo solicitando que o caso seja apurado como possível transfobia e violência política de gênero.
As declarações foram feitas na quarta-feira (11), quando Ratinho comentou a eleição de Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. Ele questionou a escolha da deputada e afirmou que, em sua visão, ‘para ser mulher tem que ter útero e menstruar’.
Em resposta, Erika Hilton protocolou uma representação no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do Ministério Público paulista, pedindo a abertura de inquérito policial. A ação visa investigar possíveis crimes de transfobia, injúria transfóbica e violência política de gênero, os quais podem resultar em penas de quatro a seis anos de prisão, conforme o enquadramento legal.
Segundo a deputada, o discurso ultrapassa a crítica política e nega sua identidade de gênero. O documento enviado ao MP aponta que tais falas podem aumentar a hostilidade contra pessoas trans, especialmente por serem transmitidas em rede nacional.
Além da ação criminal, Hilton informou nas redes sociais que também está movendo processos na esfera cível contra o apresentador.
Ela declarou que o ataque foi direcionado a todas as mulheres trans e também a mulheres cis que não menstruam ou nunca menstruaram, incluindo aquelas que tiveram útero removido por questões de saúde, que não podem ou não desejam ter filhos, ou que perderam filhos na gestação. Destacou que o discurso evidencia misoginia e ódio contra mulheres que não seguem o que Ratinho considera como correto.
O episódio foi levado ao Ministério das Comunicações, onde a deputada solicitou a suspensão do “Programa do Ratinho” por 30 dias. O Ministério informou que o pedido será analisado pela Secretaria de Radiodifusão para avaliar se há motivo para alguma medida administrativa.
O SBT repudiou qualquer forma de discriminação e esclareceu que as declarações do apresentador não refletem a opinião da emissora. A empresa informou que está analisando o caso para possíveis providências.
Eleição de Erika Hilton
A controvérsia surgiu após Erika Hilton ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados, cargo destinado ao PSOL na divisão das presidências entre partidos. A votação ocorreu em dois turnos, com 11 votos a favor e 10 votos em branco, estes últimos interpretados como protesto de parlamentares contrárias à nomeação da deputada. Parte da oposição argumentou que uma mulher trans não representa as experiências das mulheres cisgênero.
Algumas deputadas, como Clarice Tércio (PP-PE) e Chris Tonietto (PL-RJ), questionaram a escolha, enquanto outras defenderam Hilton.
Após a eleição, Hilton respondeu nas redes sociais dizendo que cumprirá seu mandato com dignidade e que opiniões transfóbicas não impedirão sua atuação. Ela também planeja usar seu cargo para abordar a violência contra mulheres e garantir que mulheres trans sejam incluídas nas políticas públicas discutidas pela comissão.

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