Notícias Recentes
rui costa sai da casa civil após conflitos na esplanada
Rui Costa, ex-governador da Bahia, deixou a chefia da Casa Civil na última quinta-feira, encerrando uma passagem marcada por dificuldades em projetar seu nome na política nacional, apesar da relevância do cargo ocupado. Essa situação também refletiu-se na sua desvantagem na disputa para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante mais de três anos, Rui Costa enfrentou diversos confrontos com outros membros do governo. Como responsável por articular as ações ministeriais, adotou um estilo de gestão focado na supervisão rígida e cobrança dos colegas do primeiro escalão, remetendo ao perfil observado durante o governo de Dilma Rousseff (2005-2010).
No início do mandato, Lula chegou a compará-lo à sua “Dilma de calças”. Contudo, membros do PT que acompanharam os dois governos apontam que Dilma apresentou uma visão estratégica mais ampla, enquanto Rui atuou quase que como um “ministro checklist”, preocupado principalmente com o cumprimento de prazos.
Além disso, o ex-governador não conseguiu transformar o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em uma marca forte da administração Lula. Devido a cortes orçamentários, os investimentos foram redirecionados para ações locais como postos de saúde e creches, em detrimento de grandes obras como ferrovias e hidrelétricas, foco de gestões anteriores.
Apesar dos desafios, Rui Costa conquistou a confiança do presidente, que valorizou sua dedicação e a habilidade de barrar propostas frágeis. Seu gabinete, localizado no quarto andar do Planalto, foi palco de diversas interrupções para atender às convocatórias presidenciais.
Dentro do governo, o principal opositor de Rui foi o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que chegou a evitar encontros presenciais sem a presença de Lula, enviando representantes em seu lugar. Rui também teve desentendimentos com outros ministros, como Carlos Fávaro, Márcio França, Silvio Costa Filho, Wellington Dias e Carlos Lupi.
Segundo uma fonte influente do PT baiano, Rui Costa pretendia, ao assumir o cargo, trilhar um caminho semelhante ao de Dilma Rousseff, que de chefe da Casa Civil chegou à Presidência. Em 2020, quando Lula estava com os direitos políticos suspensos, Rui chegou a articular uma candidatura presidencial. No entanto, o restabelecimento dos direitos de Lula pelo STF em 2021 inviabilizou esses planos.
Nos últimos meses, Rui concentrou suas ações políticas em sua terra natal, realizando eventos frequentes na Bahia e priorizando veículos locais para entrevistas. Em sua despedida, acompanhou Lula em anúncio de investimentos para o metrô e VLT de Salvador.
Hoje, as tensões acumuladas em sua gestão fazem com que não seja visto como nome forte do PT para suceder Lula em 2030, sendo Haddad e Camilo Santana considerados opções mais prováveis. Sem espaço na política nacional, Rui decidiu concorrer ao Senado e planeja tentar retornar ao governo da Bahia em 2030, apesar de ter perdido influência na escolha do vice do atual governador.
Com a saída de Rui Costa, a expectativa é que Mirian Belchior, ex-secretária executiva e ministra com vasta experiência nos governos de Lula e Dilma, mantenha a linha dura no acompanhamento das ações ministeriais, graças a seu profundo conhecimento da estrutura federal.


Você precisa estar logado para postar um comentário Login