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Rui Costa sai da Casa Civil após vários conflitos
O ex-governador da Bahia, Rui Costa, deixou o cargo de chefe da Casa Civil na última quinta-feira. Apesar da relevância do posto, ele não conseguiu consolidar uma imagem nacional no cenário político, o que prejudicou sua posição na corrida para suceder o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante seus três anos e três meses no cargo, Rui Costa enfrentou diversos desentendimentos com outros membros do governo. Liderando a pasta responsável por articular e coordenar os ministérios, ele adotou um estilo de fiscalização rigorosa, semelhante ao que se via na administração da ex-presidente Dilma Rousseff.
No início do mandato, Lula chegou a chamar o chefe da Casa Civil de sua “Dilma de calças”. No entanto, membros do PT que atuaram com ambos apontam que Dilma tinha uma visão estratégica do governo, enquanto Rui Costa focava predominantemente em verificar o cumprimento de prazos e tarefas, atuando como um “ministro checklist”.
Rui Costa também não conseguiu transformar a nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que estava sob sua responsabilidade, em um projeto significativo e reconhecido pela população. Com cortes orçamentários, os investimentos foram direcionados a ações locais com potencial eleitoral, como inauguração de postos de saúde, creches e entrega de ambulâncias, em vez de grandes obras tradicionais como ferrovias, hidrelétricas e refinarias.
Mesmo assim, Rui Costa conquistou a confiança do presidente Lula. Os dois não tinham uma relação anterior, e a indicação do baiano foi endossada pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). De acordo com fontes governamentais, Lula valorizou a dedicação Rui Costa teve no trabalho e sua capacidade de barrar projetos inconsistentes das pastas.
Com gabinete no quarto andar do Palácio do Planalto, o ministro frequentemente era chamado ao gabinete presidencial, situado no andar abaixo, interrompendo suas reuniões.
Conflitos internos
O principal adversário de Rui Costa dentro do governo foi o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que, em alguns momentos, evitava reuniões presenciais com ele sem a presença de Lula. Nessas situações, Haddad costumava enviar seu secretário executivo, Dario Durigan, como representante. Além disso, Rui Costa teve atritos com outros ministros, como Carlos Fávaro (Agricultura), Márcio França (Empreendedorismo), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Wellington Dias (Desenvolvimento Social) e Carlos Lupi (Previdência).
Segundo uma liderança do PT baiano, Rui Costa chegou ao Planalto com a intenção de repetir a trajetória de Dilma Rousseff, que foi elevada de chefe da Casa Civil a presidenciável. Em 2020, quando Lula estava com seus direitos políticos suspensos por conta das condenações da Lava-Jato, Rui Costa chegou a lançar um projeto para concorrer à presidência. Contudo, a anulação das sentenças pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no início de 2021 acabou com essa possibilidade.
Agora, Lula impediu que Rui Costa avançasse com sua ambição nacional ao não tentar um quarto mandato, como havia prometido na campanha de 2022. O ex-governador também não se esforçou para usar o cargo para ganhar visibilidade em nível nacional, concentrando sua agenda principalmente na Bahia e dando entrevistas predominantemente para veículos do estado.
Durante os mais de três anos à frente da Casa Civil, Rui Costa participou de pelo menos 76 eventos na Bahia. Em sua despedida, acompanhou o presidente em um anúncio de verbas para o metrô e o VLT de Salvador.
O histórico de conflitos e o desempenho do ex-governador na Casa Civil fazem com que ele não seja atualmente visto como uma liderança do PT para suceder Lula a partir de 2030. Dentro do partido, Fernando Haddad e Camilo Santana são hoje considerados as opções mais viáveis.
Nova estratégia
Sem espaço na política nacional, Rui Costa redirecionou seus planos. Ele pretende disputar uma cadeira no Senado e voltar a governar a Bahia em 2030.
Buscando influenciar a escolha do vice-governador do atual mandato, Rui Costa tentou apoiar um nome para formar chapa com Jerônimo Rodrigues, mas foi derrotado pela permanência de Geraldo Júnior (MDB), que já havia feito declarações públicas críticas ao ex-governador.
Com a saída de Rui Costa, espera-se que a Casa Civil mantenha sua linha de rigor na cobrança dos outros ministros, sob a liderança da ex-secretária executiva Mirian Belchior. Segundo um petista experiente, a nova ministra, devido à sua experiência em Planejamento e em governos anteriores de Lula e Dilma, possui profundo conhecimento da estrutura administrativa federal.


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