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Shoppings do DF se preparam contra rolezinho

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A repressão aos estudantes da Gama Filho em Brasília no fim da noite de ontem em frente ao Congresso ocorre no momento em que o país volta os olhos para um recente fenômeno da juventude: os rolezinhos. Depois de shoppings no Rio de Janeiro e em São Paulo conseguirem liminares na Justiça e fecharem as portas para evitar os encontros, os centros de compras do Distrito Federal se preparam para receber os jovens. O primeiro evento está marcado para sábado no Iguatemi Brasília e, segundo lojistas, a previsão é de que o shopping funcione normalmente. Diante de recentes tentativas policiais e de centros comerciais para coibir o fenômeno, os encontros se espalharam pelo Brasil e levaram a Associação Brasileira de Lojistas de Shoppings (Alshop) a pedir uma reunião com a presidente Dilma Rousseff para tratar do assunto.

Ontem, a Alshop enviou um ofício à Presidência da República e à Casa Civil pedindo auxílio federal. “Esperamos nos reunir com algum órgão competente do governo para que possamos expor o que tem acontecido em São Paulo e pensar em uma estratégia para que as duas partes (shopping e consumidor) possam ter suas regalias, seus direitos defendidos”, diz o diretor de Relações Institucionais, Luis Augusto Ildefonso da Silva.

De acordo com Ildefonso, comerciantes relataram ter perdido de 10% a 20% das vendas, desde que os rolezinhos começaram. Ontem, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, que já havia dito na semana passada que o rolezinho não era caso de polícia, afirmou que a intervenção federal não é necessária. “A polícia acompanha esses movimentos e só faz a intervenção quando há atos de vandalismo.”

O rolezinho começou a chamar a atenção no fim de 2013, em São Paulo, onde adolescentes da periferia, organizados por meio das redes sociais, iam se divertir em shoppings. Em algumas ocasiões, houve correria e confronto com a polícia, que chegou a lançar bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para conter os jovens, inclusive, com prisões. No último fim de semana, os shoppings Leblon, no Rio de Janeiro, e Shopping JK Iguatemi, em São Paulo, não funcionaram com receio de confusão durante rolezinhos.

No Iguatemi Brasília, onde está marcado o próximo evento, informalmente há uma recomendação para que lojistas que se sentirem acuados fechem mais cedo. Paralela às atitudes internas do estabelecimento, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal elabora um plano operacional para o rolezinho de sábado, o que inclui um reforço no policiamento na área próxima ao shopping. Em nota oficial, o estabelecimento afirma “que serão tomadas todas as medidas preventivas para garantir a segurança e a tranquilidade de todos os clientes, lojistas e colaboradores”.

Com viés de protesto, a página do Rolezinho no Iguatemi criada em uma rede social tinha 2.574 pessoas confirmadas até a noite de ontem. Além do encontro no shopping do Lago Norte, há pelo menos dois outros agendados na cidade. Ciente do evento marcado para 1° de fevereiro, o superintendente de shoppings das Organizações PaulOOctavio, Edmar Barros, afirmou que o Taguatinga Shopping ficará aberto. “Nós vamos estar com a porta aberta. Caso haja movimento para provocar desordem, não tenha a dúvida de que vamos agir.”

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL), Álvaro Silveira Junior, espera que nenhum estabelecimento tenha de fechar as portas. “Não deve ter a necessidade de fechar porque acreditamos que o movimento será ordeiro e, não abrir, não é positivo para o shopping”, disse.

(Foto: Taguatinga shopping)

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