Economia
Taxas mantêm estabilidade em meio a preocupações com a guerra
Em um dia marcado por flutuações nos juros futuros e aumento nos preços do petróleo, as taxas começaram a sessão de quinta-feira (2) em alta expressiva, caindo para terreno negativo no começo da tarde, retomando força na segunda metade do pregão e, na reta final, apresentando variações entre leves aumentos e quedas.
Por volta das 13h, informes sobre um acordo do Irã com Omã visando reabrir o Estreito de Ormuz trouxeram algum alívio ao mercado de Depósitos Interfinanceiros (DIs). No entanto, a curva a termo voltou a subir, enquanto investidores assimilavam o tom mais firme do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na noite anterior, o discurso de Trump, que incluiu ameaças de ataques severos contra o Irã nas próximas semanas, contrariou expectativas de um rápido fim do conflito. A cautela aumentou diante do feriado prolongado, que pode intensificar o conflito após um possível fracasso nas negociações de paz, reduzindo o apetite por risco.
Ao final do dia, a taxa do DI para janeiro de 2027 oscilou ligeiramente, ficando próxima de 14,03%. Já o DI para janeiro de 2029 caiu para 13,63%, enquanto o DI para janeiro de 2031 registrou leve retração, situando-se em 13,735%.
Apesar das variações, o sentimento predominante foi pessimista, com a tensão geopolítica pressionando fortemente o preço do petróleo. O barril Brent para junho fechou com alta de quase 8%, cotado a US$ 109,03, refletindo preocupações após os Estados Unidos sinalizarem uma intensificação da ofensiva militar no Oriente Médio.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, comenta que o mercado espera que o conflito dure aproximadamente um mês, o que deverá resultar em desempenho negativo dos ativos em abril.
“O mercado acredita que, daqui a um mês, a situação se normaliza e os preços se estabilizam, mas o mês de abril ainda será complicado, especialmente se houver novas ações do Irã”, afirmou Cruz. “As tropas americanas estão na região; resta saber quando e onde irão agir”, completou.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que milhões de iranianos estão prontos para defender o país em caso de invasão terrestre dos EUA. A declaração ocorreu após a afirmação de Trump de que os mísseis e drones iranianos foram significativamente degradados.
Cruz ressalta que existe muita incerteza sobre quem realmente detém o poder no Irã, especialmente após a morte do Líder Supremo Ali Khamenei durante a ofensiva americana. “Este é um dos erros estratégicos dos EUA. Atualmente, não se sabe qual interlocutor tem autoridade para negociar com Trump. São ao menos quatro líderes falando sobre o tema”, explicou.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets, observa que mesmo após a notícia do plano para desbloquear o estreito, as taxas futuras permaneceram próximas das médias móveis anteriores. “O mercado está adotando uma postura defensiva. Poderíamos ter observado quedas maiores, mas o feriado faz os participantes se resguardarem, mantendo a estabilidade”, disse Praça.
Em uma semana mais curta e com o conflito envolvendo EUA e Israel contra o Irã completando seu segundo mês, as taxas conseguiram recuperar uma parte dos prêmios de risco acumulados desde o início do confronto. Em comparação ao fechamento da última sexta-feira, o DI para janeiro de 2027 caiu cerca de 30 pontos-base, enquanto os contratos para 2029 e 2031 recuaram aproximadamente 40 pontos-base.


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