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Trump diz que proposta de trégua no conflito com Irã é insuficiente
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta segunda-feira (6) que a sugestão de uma trégua de 45 dias no confronto com o Irã representa um “avanço importante”, mas ainda assim “não é suficiente”. A informação veio após um veículo de comunicação iraniano relatar que Teerã rejeitou a proposta de cessar-fogo.
As negociações, mediadas pelo Paquistão, seguem num momento de pressão pelo ultimato lançado por Trump no fim de semana, exigindo que o Irã libere o Estreito de Ormuz para evitar ataques contra sua infraestrutura civil.
Na véspera do prazo final, Israel lançou ataques a dois complexos petroquímicos iranianos, incluindo a maior instalação de gás do país. Segundo o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, a ação causou um “forte impacto econômico” para a república islâmica.
O Irã recusou o cessar-fogo após 38 dias de conflito com os Estados Unidos e Israel, sustentando a necessidade de um término definitivo da guerra, conforme reportou a agência estatal Irna.
Nem os Estados Unidos nem o Irã revelaram detalhes da proposta, mas antes de Trump se pronunciar, o porta-voz militar iraniano, Mohamad Akraminia, afirmou que seu país continuará o combate enquanto suas lideranças julgarem necessário.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro por uma ação conjunta dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, já causou milhares de mortes e elevou os preços do petróleo, afetando a economia global.
O Irã advertiu que haverá respostas ainda mais devastadoras caso Trump executem sua ameaça de destruir pontes e usinas elétricas iranianas em retaliação ao bloqueio do Estreito de Ormuz, rota essencial para o transporte de hidrocarbonetos.
Acusações de “crimes de guerra”
Diante das ameaças de ataques a infraestruturas civis, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, denunciou possíveis “crimes de guerra”.
Qualquer ação militar direcionada contra infraestruturas civis, especialmente instalações de energia, é considerada “ilegal” e “inaceitável”, alertou o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
No entanto, Trump rejeitou as advertências de que atacar infraestruturas civis violaria o direito internacional.
“Não me preocupo com isso. O verdadeiro crime de guerra é permitir que um país desequilibrado, com líderes instáveis, tenha armas nucleares”, declarou o presidente americano aos jornalistas na Casa Branca.
A Guarda Revolucionária do Irã declarou que a situação no Estreito de Ormuz jamais retornará ao estado anterior, especialmente para os Estados Unidos e Israel.
Esta força militar afirmou que um ataque israelense ao amanhecer matou seu chefe de inteligência, general Majid Khademi, prometendo retaliações na operação denominada “Vingança esmagadora”.
Sem aguardar até quarta-feira, Israel afirmou ter atacado o complexo petroquímico de South Pars, em Asaluyeh, no Golfo, onde houve múltiplas explosões segundo a mídia local.
Em meados de março, Israel já havia realizado ataques ao South Pars, a maior reserva de gás natural do mundo, situada entre Irã e Catar.
Autoridades iranianas também relataram um ataque em Marvdasht, no sul do país, que causou “danos menores” a uma segunda instalação petroquímica.
As duas unidades, que respondem por cerca de 85% das exportações petroquímicas iranianas, foram paralisadas e estão fora de operação, conforme declarou o ministro da Defesa israelense, que chamou as ações de “duro golpe econômico” ao Irã.
Novos bombardeios e impactos
Em Israel, equipes de emergência recuperaram os corpos das quatro pessoas desaparecidas após o colapso de um prédio residencial em Haifa, no norte, ocasionado por um míssil iraniano no domingo.
O exército israelense confirmou uma nova série de ataques contra alvos em Teerã.
Na capital iraniana, uma instalação de gás foi atingida, temporariamente interrompendo o fornecimento para áreas da cidade, conforme informou a emissora estatal Irib. Uma universidade próxima também sofreu danos.
Relatos da mídia iraniana indicam múltiplos ataques em bairros residenciais, resultando na evacuação de oito hospitais.
A agência Tasnim reportou quase 30 mortes decorrentes dos ataques espalhados pelo país.
O Irã intensificou ataques contra nações do Golfo. O Kuwait informou sobre um ataque com mísseis e drones que feriu seis pessoas, enquanto os Emirados Árabes Unidos registraram um ferido devido a destroços de drones interceptados.
No Líbano, outra frente importante no conflito, um novo bombardeio israelense atingiu o sul de Beirute, conhecido reduto do grupo pró-Irã Hezbollah, após um aviso de evacuação.


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