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Trump indica chefe do Fed que garante autonomia do banco
O nomeado pelo presidente americano Donald Trump para liderar o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, garantiu aos parlamentares nesta terça-feira (21) durante uma audiência no Congresso que defenderá a independência da instituição perante a Casa Branca.
“Serei um agente independente se for confirmado”, afirmou Kevin Warsh ao Comitê Bancário do Senado, enquanto respondia perguntas rigorosas sobre seus bens e visões a respeito da autonomia do Fed. Isso ocorre em um momento em que Trump tenta influenciar continuamente a política monetária.
A audiência é um desafio crucial que Warsh precisa superar para substituir o presidente atual do Fed, Jerome Powell, cujo mandato acaba em 15 de maio.
Esse evento acontece enquanto Trump intensifica suas críticas ao banco central por não baixar os juros de forma mais agressiva.
O presidente defende taxas de juros menores porque isso estimula o crescimento econômico e diminui o custo da dívida pública, que é muito alta nos Estados Unidos. No entanto, muitos economistas alertam que isso pode aumentar a inflação.
“Deveríamos ter a menor taxa de juros do mundo”, reiterou Trump em entrevista à CNBC, declarando que ficaria desapontado se o novo presidente do Fed não reduzisse os juros rapidamente.
Além disso, ele voltou a criticar Powell pelos custos associados à reforma da sede do banco, que está sendo investigada pelo Departamento de Justiça.
Pressão política e investigações
O Comitê Bancário do Senado é controlado pelos republicanos, mas o senador Thom Tillis prometeu bloquear todas as indicações para o Fed, incluindo a de Warsh, até que a investigação sobre Powell seja concluída.
Os 11 democratas do comitê solicitaram o adiamento da nomeação de Warsh até que sejam encerradas não apenas as investigações contra Powell, mas também as envolvendo a diretora do Fed, Lisa Cook, a quem Trump tentou destituir por acusações relacionadas a fraudes hipotecárias. Uma decisão da Suprema Corte é aguardada sobre o caso.
Nesta terça, Warsh defendeu que cabe ao próprio Fed preservar sua neutralidade política.
“Não acredito que a independência da política monetária esteja ameaçada quando autoridades eleitas manifestam suas opiniões sobre os juros”, explicou.
Ele ressaltou que a inflação é uma responsabilidade do Fed, ao mesmo tempo que afirmou que o banco central deve manter-se firme em suas políticas.
Por outro lado, Elizabeth Warren, líder dos democratas no comitê, afirmou que as investigações contra Powell e Cook têm o objetivo de pressionar os formuladores de políticas do Fed a obedecer as ordens do presidente Trump.
Ela também alertou para o risco de o banco central ser comandado por um “fantoche” do presidente.
Questionamentos esperados
Espera-se que Warsh enfrente perguntas difíceis dos parlamentares sobre sua riqueza pessoal, seus antigos vínculos com o falecido criminoso sexual americano Jeffrey Epstein e suas opiniões sobre assuntos econômicos.

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