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Ucrânia, Rússia e EUA avançam nas conversas de paz em Abu Dhabi
Na quinta-feira (5), Ucrânia e Rússia continuam as negociações de paz em Abu Dhabi, com representantes dos Estados Unidos presentes, em meio à pressão persistente de Moscou, que busca impor seus termos a Kiev.
Essas conversas, mediadas por Washington, marcam o mais recente esforço para encerrar o conflito iniciado com a invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022.
Segundo o principal negociador ucraniano, Rustem Umerov, o segundo dia das negociações começou e segue o mesmo formato do dia anterior com consultas trilaterais, trabalho em grupos e alinhamento de posições.
Ao término do primeiro dia na quarta-feira, Kiev considerou as negociações substanciais e produtivas, sem avanços significativos além do acordo para uma nova troca de prisioneiros em breve, conforme anunciado pelo presidente Volodimir Zelensky.
Esse foi o único progresso concreto até o momento, incluindo diálogos anteriores na Turquia em 2025.
Por outro lado, o representante de Moscou, Kirill Dmitriev, afirmou que há avanços definitivos, ressaltando que as negociações caminham positivamente, apesar das tentativas europeias de interferência.
Na quarta-feira, Moscou reforçou a exigência de que a Ucrânia ceda suas condições, aumentando as dúvidas sobre o sucesso das negociações conduzidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O Kremlin advertiu, por meio do porta-voz Dmitri Peskov, que a operação militar continuará enquanto Kiev não tomar a decisão requerida.
A Rússia demanda a cessão completa da região de Donbass, uma área industrial rica em minérios no leste da Ucrânia, propondo em troca um possível congelamento da linha de frente.
Em entrevista, Zelensky estimou que Moscou precisaria sacrificar centenas de milhares de soldados para conquistar completamente a região, prevendo que a ofensiva levará, no mínimo, dois anos.
O presidente reconheceu também as severas perdas ucranianas, com 55.000 militares mortos, número inferior às estimativas ocidentais, e mencionou grande número de desaparecidos.
Kiev mantém sua posição firme, recusando-se a abandonar os territórios reivindicados por Moscou no leste, especificamente na área de Donetsk, principal linha de defesa contra os ataques russos.
Enquanto isso, a Rússia continua pressionando a população civil, tendo retomado ataques contra infraestruturas estratégicas ucranianas, causando cortes de energia e aquecimento em meio a temperaturas abaixo de zero graus.
Na quarta-feira à noite, a Ucrânia reportou ataques de mísseis e drones russos, causando feridos em Kiev.
O ceticismo sobre um acordo prevalece entre os cidadãos ucranianos, enquanto alguns russos mostram esperança no fim do conflito.
Reuniões anteriores com as mesmas partes ocorreram nos Emirados Árabes Unidos em janeiro, com exclusão dos aliados europeus da Ucrânia.
Zelensky destacou que o presidente russo não teme os europeus, mas sim Trump, que possui meios de pressão econômica, sanções e armas que poderiam ajudar a Ucrânia.

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