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Cantareira atinge nível crítico e ameaça abastecimento em 2026
Durante um período de seca em São Paulo, o Sistema Cantareira, que é o principal reservatório de água do estado, atingiu seu nível mais baixo em quase uma década na última sexta-feira (28/11). Com apenas 21,3% do volume total disponível, o Cantareira abastece cerca de 46% da população da Grande São Paulo.
Este é o nível mais baixo registrado desde 23 de fevereiro de 2016, quando o sistema teve 21,4%. Com a ausência de chuvas nos últimos dias de novembro, marca-se o décimo mês consecutivo com precipitação abaixo do esperado.
No início deste ano, o reservatório estava com 60% da sua capacidade, valor alcançado devido às chuvas de final de 2024 e início de 2025. Entretanto, desde 3 de março, o nível caiu 38,7%.
Em resposta, a Sabesp tem reduzido a pressão da água durante a noite desde 27 de agosto, das 19h às 5h, em toda a região metropolitana, para minimizar perdas causadas por vazamentos, principalmente no período noturno. Essa medida visa preservar os recursos hídricos disponíveis.
Preocupações com a falta de chuva
Antonio Carlos Zuffo, professor da Unicamp, explicou que o baixo volume é esperado para essa época do ano, mas ressaltou a preocupação com o nível crítico e a escassez de chuvas na primavera, que é um período importante para a reposição dos reservatórios.
A primavera e o verão normalmente são estações chuvosas, mas a falta de chuva nesse início de primavera tem contribuído para a diminuição do volume de água no reservatório.
Para evitar riscos no próximo ano, o professor destaca que as chuvas de verão precisam recuperar pelo menos 20% do volume do Cantareira. Ele observa que se as chuvas forem boas, o reservatório pode recuperar mais de 15%, mas se a recuperação for tímida, o próximo período chuvoso só acontecerá no início de outubro do próximo ano.
Riscos para 2026
Antonio Carlos Zuffo alerta que, caso o volume do Sistema Cantareira não se recupere, o abastecimento de água na Grande São Paulo poderá enfrentar sérias dificuldades em 2026.
A redução da pressão da água é vista como uma estratégia para minimizar perdas e pode ser expandida no próximo ano. Se a situação piorar, a Sabesp poderá adotar medidas adicionais, como:
- Oferecer descontos na conta de água para clientes que economizarem;
- Aumentar restrições no uso;
- Aplicar multas por uso excessivo;
- Implementar racionamento de água.
A situação dos reservatórios e recursos hídricos no estado é monitorada continuamente pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).
O órgão destaca que o cenário atual requer atenção constante e está sendo gerido com base em protocolos técnicos e medidas preventivas estabelecidas no Plano Estadual de Segurança Hídrica.


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