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Aumento do petróleo pressiona gasolina e diesel nas refinarias

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Com o agravamento do conflito no Oriente Médio, após ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã e a resposta de Teerã, o preço do petróleo no mercado internacional subiu 13%, ultrapassando US$ 82.

Essa alta acelerou a diferença dos preços de venda da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras em comparação com os valores globais, o que deve aumentar a pressão sobre os preços no Brasil.

Sergio Araújo, presidente da Abicom, que reúne importadoras de combustíveis do país, afirma que na última sexta-feira o preço do litro do diesel nas refinarias da Petrobras estava 12% abaixo do valor internacional, e a gasolina 3% abaixo. Agora, essa diferença cresceu para -23% no diesel e -17% na gasolina. Segundo ele, produtos importados e de refinarias privadas no Brasil terão aumento nos preços.

A Petrobras está cautelosa diante da instabilidade atual e pretende observar o comportamento do preço do barril nas próximas duas semanas antes de considerar reajustes nos preços dos combustíveis em suas refinarias. Até o momento, não há indicações de mudanças imediatas devido à incerteza do cenário.

Pedro Rodrigues, sócio da consultoria CBIE, comenta que a política de preços da Petrobras mudou, pois agora a empresa não ajusta os aumentos imediatamente apesar de reduzir preços rapidamente. Ele destaca a necessidade de avaliar se a alta será duradoura ou temporária, e que caso o Estreito de Ormuz seja fechado permanentemente, os preços terão que ser revisados.

Após declarações do presidente americano Donald Trump sobre possíveis negociações com o Irã, o preço do petróleo recuou um pouco, mantendo-se em US$ 79,11 por barril, com alta de 8,55%.

O aumento do preço do petróleo está muito ligado à quase interdição do Estreito de Ormuz, rota fundamental para o transporte de cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.

O último ajuste da Petrobras para a gasolina ocorreu em 27 de janeiro deste ano, resultado numa redução média de 5,2%, sem alteração no preço do diesel.

A pressão maior atualmente recai sobre o diesel, que desde o começo de fevereiro tem registrado defasagem de preço na comparação com o mercado internacional, exercendo maior pressão sobre os preços brasileiros.

Sergio Araújo ressalta que, apesar do aumento expressivo no preço do petróleo, o reajuste do diesel não acontece desde maio de 2025 devido a um momento político delicado e os efeitos diretos na inflação. Ele ainda destaca que o cenário fiscal e o ano eleitoral tornam o aumento sensível.

Segundo Sergio Araújo, é improvável que haja solução imediata para o conflito no Oriente Médio. Ele acredita que o preço do barril deve oscilar em torno de US$ 80 ou um pouco acima, o que é positivo para o Brasil como exportador de petróleo, contribuindo para a balança comercial e aumentando a margem das petroleiras nacionais. Contudo, produtos importados e refinados por empresas privadas também sofrerão aumento nos preços.

Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% da demanda de diesel e 10% da gasolina, além de outros derivados. As regiões Norte e Nordeste, que contam com apenas uma refinaria da Petrobras em Pernambuco, sentirão mais intensamente o impacto dos aumentos.

A Petrobras não respondeu até o momento às solicitações para comentar o assunto.

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