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Trump tem saúde mental em cheque por ameaças ao Irã
Donald Trump não é estranho a uma linguagem provocativa. Contudo, sua ameaça de destruir a civilização iraniana, junto com outros comentários intimidatórios recentes, fez com que críticos questionassem a saúde mental do presidente dos Estados Unidos.
O presidente mais velho na história dos EUA intensificou sua retórica alarmista diante da recusa do Irã em negociar o fim do conflito no Oriente Médio.
Alguns antigos aliados pediram a destituição do republicano de 79 anos após uma série de publicações nas redes sociais que foram consideradas extravagantes e, por vezes, carregadas de palavrões.
O mundo aguarda para ver se Trump cumprirá sua ameaça quando o prazo estipulado para o fechamento do Estreito de Ormuz, que ele fixou para a noite de terça-feira (7), expirar, ou se demonstrará mais uma vez recuo, como já fez anteriormente.
Ele publicou na rede social Truth Social, 12 horas antes do prazo: “Uma civilização inteira desaparecerá esta noite, para nunca mais voltar. Não desejo que isso aconteça, mas é provável que aconteça”.
Diante da crescente preocupação internacional, a Casa Branca negou que essa declaração, assim como os comentários do vice-presidente JD Vance sobre haver “ferramentas em nosso arsenal que, até agora, decidimos não usar”, significassem que Trump estaria disposto a usar armas nucleares.
No passado, Trump se gabava de um estilo de negociação baseado em posições extremas, visando obter maiores concessões.
Peter Loge, diretor da Escola de Mídia da Universidade George Washington, disse à AFP que “parece estar um pouco mais desequilibrado do que antes”, mas que isso faz parte do padrão de bravatas do presidente.
Ele prevê que à medida que o novo prazo se aproximar, Trump declarará vitória afirmando que conseguiu levar o Irã à mesa de negociações e estenderá o prazo por mais duas semanas, repetindo um ciclo já visto várias vezes.
Maldade e loucura
Mesmo considerando o estilo desinibido de Trump, que serviu como 45º e 47º comandante-chefe das forças armadas, a linguagem usada recentemente foi inadequada para um presidente.
Ele escreveu na manhã do Domingo de Páscoa no Truth Social: “Abram o maldito estreito, bastardos loucos, ou viverão no inferno”.
Durante a tradicional caça aos ovos de Páscoa na Casa Branca, cercado por crianças, coelho gigante e pela primeira-dama Melania Trump, o presidente minimizou que atacar usinas elétricas e infraestrutura civil iraniana seja um crime de guerra.
Seu tom extremo provocou críticas que levantaram dúvidas sobre sua sanidade.
A ex-congressista de extrema direita Marjorie Taylor Greene, que rompeu com Trump no ano passado, afirmou na rede social X que “Não podemos destruir uma civilização inteira. Isso é maldade e loucura”.
Antigos aliados e democratas pedem a aplicação da 25ª Emenda da Constituição dos EUA, que prevê a transferência de poder caso um presidente seja incapaz de governar, especialmente por questões de saúde.
O apresentador conservador Tucker Carlson chamou os comentários do Domingo de Páscoa de “o primeiro passo para uma guerra nuclear”. O ex-secretário de imprensa da Casa Branca, Anthony Scaramucci, classificou Trump como “louco” e apoiou sua destituição.
Já o ex-candidato democrata à vice-presidência, Tim Walz, declarou que “o presidente perdeu o controle”.
No entanto, Trump desconsiderou as perguntas sobre sua saúde mental em uma coletiva na Casa Branca, respondendo: “Não ouvi nada sobre isso” quando questionado sobre avaliações de sua condição após suas declarações agressivas.

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