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Chatbots de IA preocupam influência nas eleições brasileiras

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“Chat, quem é o melhor candidato?” Durante o período de seis meses antes das eleições em outubro, chatbots de inteligência artificial continuam a responder perguntas desse tipo, enfrentando novas regras do Tribunal Superior Eleitoral e gerando receios sobre a influência da tecnologia na escolha do próximo presidente do Brasil.

Considerada um dos maiores desafios do ano eleitoral pela presidente do TSE, a ministra Cármen Lúcia, a inteligência artificial passou por novas regulamentações em março.

Não há dúvidas de que o uso inadequado dessas tecnologias pode comprometer a integridade das eleições, alertou um ministro durante um seminário no início do ano.

A corte, que tem papel importante no combate à desinformação desde que declarou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível por espalhar informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro, aumentou a responsabilidade das plataformas por conteúdos falsos e limitou a atuação de chatbots em 2026.

Nas próximas eleições, que serão as primeiras com ampla disponibilidade desses assistentes virtuais no país, eles estão proibidos de fornecer recomendações, rankings ou opiniões sobre candidatos e partidos, mesmo que solicitados pelos usuários.

No entanto, testes realizados semanas após a publicação das normas mostraram que pelo menos três dos principais chatbots de IA forneceram classificações políticas.

Quando questionados sobre os “melhores candidatos para as eleições de 2026”, o ChatGPT, Grok e Gemini responderam rapidamente.

O ChatGPT afirmou de forma honesta: “Melhor tecnicamente hoje: Tarcísio / Zema“, citando o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) — que já descartou a candidatura — e o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, pré-candidato pelo Novo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou entre o segundo e o quinto lugar, sendo elogiado pela ampla experiência, mas criticado pela idade avançada. Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário segundo as últimas pesquisas, apareceu nas últimas posições ou fora das listas.

Resposta incorretas ou enviesadas

Respostas desse tipo levantam preocupações sobre a possibilidade de a tecnologia influenciar eleitores com base em informações erradas ou tendenciosas, num país tão conectado como o Brasil.

Isso acontece porque os resultados são gerados com base em probabilidades derivadas dos dados usados para treinamento, que podem conter erros ou vieses, explicou o professor Theo Araújo, diretor do Centro de Pesquisa em Comunicação da Universidade de Amsterdã, que analisou o uso de chatbots durante as eleições nos Países Baixos em 2025.

O estudo indicou que uma em cada dez pessoas provavelmente utilizaria essas ferramentas para se informar sobre os candidatos.

O risco fica evidente ao observar como esses assistentes de IA atuam na prática.

Em março, uma equipe de verificação da AFP apresentou uma imagem falsa mostrando Flávio Bolsonaro com o investigado dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Mesmo sabendo que a imagem era artificial, o Grok garantiu no X que o registro era real, até informando uma data para o suposto encontro.

O problema se agrava pela percepção de neutralidade atribuída aos chatbots.

“Na política, os participantes sabem que certas fontes têm tendências à direita ou à esquerda. No caso destes chatbots, existe o risco de que as pessoas achem que essas tecnologias são neutras ou objetivas e aceitem as respostas sem questionar”, resumiu o professor Araújo.

Esse risco é reforçado pelos próprios candidatos. Em uma publicação no X no começo de abril, Flávio Bolsonaro incentivou seus seguidores a “perguntar ao chat o que é verdade”.

De fato, uma rápida busca nas redes sociais mostra vários usuários pedindo recomendações de voto ao Grok.

Um usuário perguntou: “De acordo com os 6 critérios apresentados no meu post, em qual pré-candidato devo votar?” enquanto outro questionou se poderia confiar nos resultados de pesquisas de intenção de voto.

Sem penalidades claras

Apesar das preocupações, ainda é incerto como, ou se, essa restrição pode gerar punições para as plataformas, pois a norma do TSE não prevê avaliações diretas.

Com base na resolução, o tribunal poderia aplicar multa diária, explicou à AFP Diogo Rais, advogado especializado em Direito Eleitoral, mas os valores não foram definidos previamente e poderiam ser contestados judicialmente.

Ao ser procurada, a OpenAI afirmou que o ChatGPT é “treinado para não favorecer candidatos” e segue aprimorando seus modelos. O Google informou que o Gemini responde às perguntas dos usuários, o que não necessariamente reflete a opinião da empresa. Tentativas de contato com o X não foram bem-sucedidas.

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