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Ibaneis pressiona ex-presidente do BRB por acordo com Master
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira, recebeu em junho de 2025 uma mensagem do ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), solicitando um desfecho para as negociações entre o banco público e o Master. Na conversa, Ibaneis mencionou que a situação estava causando um desgaste maior do que o esperado e que não poderia continuar suportando essa pressão. A Polícia Federal está revisando o arquivo dessa troca de mensagens no WhatsApp como parte das investigações sobre possíveis fraudes em operações envolvendo as duas instituições financeiras.
Ibaneis Rocha declarou que sempre buscou um desfecho para as negociações entre o Master e o BRB, mas negou qualquer influência externa, seja de Daniel Vorcaro, proprietário do Master, ou de grupos políticos. A defesa do ex-governador enfatiza que sua preocupação residia nas consequências das ações que afetam o Distrito Federal. Paulo Henrique Costa não se pronunciou.
Em conversas privadas, Daniel Vorcaro afirmava manter contato com Ibaneis Rocha e que, no início das negociações, o então governador consultou um aliado político para avaliar o histórico do banqueiro, recebendo ótimas recomendações. Ibaneis confirma ter encontrado Vorcaro em eventos sociais algumas vezes, mas nunca para tratar de assuntos bancários, pois não possui familiaridade com o sistema financeiro, e nega que tais diálogos tenham ocorrido conforme relatado pelo banqueiro.
Na época do envio da mensagem, as negociações para aquisição do Master estavam complicadas devido à descoberta pelo Banco Central (BC) de irregularidades nas carteiras de crédito do banco de Daniel Vorcaro, que tinham sido adquiridas pelo BRB por R$ 12 bilhões. Essa suspeita de fraude intensificou a fiscalização do BC sobre o negócio.
Três meses depois, em setembro do ano anterior, o BC proibiu a operação. Em novembro, o Master foi liquidado devido à crise causada por uma enxurrada de resgates de aplicações, o que comprometeu sua sobrevivência no mercado. A partir daí, o BRB enfrentou dificuldades financeiras, tanto por não atender às exigências do BC quanto por problemas na captação de recursos. Essa crise também afetou o ex-governador do Distrito Federal, que passou a ser alvo das investigações.
O ex-presidente do BRB afirmou à Polícia Federal que a aquisição do Master tinha fundamentos técnicos e que o banco de Daniel Vorcaro representava uma oportunidade estratégica para a expansão do BRB.
A Polícia Federal analisa as mensagens dos celulares de Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, estabelecendo uma linha do tempo para reconstruir os bastidores das negociações e identificar os papéis dos executivos dos bancos e agentes públicos, do Banco Central e do governo do Distrito Federal.
Os investigadores também apostam na colaboração de Daniel Vorcaro para esclarecer se houve influência política para ajudar o banco privado, que necessitava de recursos para se manter no mercado.
Após o fracasso da transação, o BRB foi cobrado pelo Banco Central para constituir uma provisão de pelo menos R$ 5 bilhões. O BC também exige um aporte de capital do governo do Distrito Federal, acionista controlador, para recuperar a normalidade da instituição. Até o momento, esse aporte não aconteceu, e os balanços do terceiro e quarto trimestres do ano passado ainda não foram divulgados.
Em março deste ano, poucos dias antes de deixar o cargo para preparar sua campanha ao Senado pelo Distrito Federal, Ibaneis Rocha apresentou ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) um pedido para iniciar negociações de empréstimo ao governo, que seria destinado ao aporte de capital no BRB. A continuidade dessa negociação ficou sob responsabilidade de sua sucessora, Celina Leão.
Recentemente, Celina Leão se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e com representantes do mercado financeiro para discutir soluções para o BRB. A governadora do Distrito Federal está negociando a venda da carteira de crédito do Master com um fundo de investimentos, operação que pode trazer um alívio financeiro imediato de R$ 4 bilhões ao banco público, embora essa ação não solucione os problemas patrimoniais.
O BRB aguarda um empréstimo do FGC e de um grupo de bancos para o governo do Distrito Federal, que ainda está em negociação sem definição. O valor inicialmente solicitado era de R$ 4 bilhões, mas aumentou para R$ 6,6 bilhões, quantia necessária para resolver as questões de capital do banco. Caso não se concretize o acordo, outras alternativas precisarão ser consideradas.

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