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galipolo enfrenta pressão intensa no comando do Banco Central; líder do PT o chama de ‘traidor’
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, está sendo pressionado fortemente pelo PT e aliados de Luiz Inácio Lula da Silva após afirmar que as investigações internas do órgão não identificaram culpa do seu predecessor, Roberto Campos Neto, no escândalo envolvendo o Banco Master.
Essa declaração causou desconforto no Palácio do Planalto, onde há uma estratégia eleitoral de responsabilizar a administração de Jair Bolsonaro, que nomeou Campos Neto, pelo caso.
A poucos meses da eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL), as críticas aumentaram e, em certos momentos, se assemelham às críticas feitas a Campos Neto quando presidia o Banco Central. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), chamou Galípolo de “traidor”.
No final do ano passado, desconfortos começaram a surgir no governo, especialmente por conta do impacto da taxa Selic de 15% sobre a reeleição de Lula. Houve novas tensões em relação à indicação de Guilherme Mello para uma diretoria vaga do BC, sugerida pelo ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad a Lula. A relação, contudo, atingiu seu ponto mais crítico, embora Lula tenha mantido um discurso mais moderado publicamente.
Em sua fala à CPI do Crime Organizado, Galípolo afirmou que as investigações internas do BC não apontaram culpa alguma de Campos Neto no caso Master. Galípolo assumiu o Banco Central em janeiro de 2025 e seu mandato vai até 2028. Campos Neto presidiu o órgão de 2019 a 2024.
— Não existe, em nenhum processo de auditoria ou sindicância, evidência que comprove qualquer culpa do ex-presidente Roberto Campos — afirmou Galípolo.
Nos bastidores, integrantes do governo expressaram irritação porque Galípolo não atribuiu responsabilidade ao seu antecessor. Lula e seus assessores discutiram se valia a pena enviar Galípolo à CPI para falar sobre Campos Neto.
Politicamente, era esperado que Galípolo apresentasse uma linha do tempo mostrando o crescimento do Banco Master durante a gestão de Campos Neto e Bolsonaro. Entretanto, ele respondeu categoricamente que não há dolo de seu antecessor, o que contrariou a estratégia do entorno de Lula para questionar a gestão passada.
Oficialmente, mantém-se que Galípolo cumpre seu papel institucional e mantém a autonomia e credibilidade do BC com uma postura técnica.
Pedro Uczai intensificou as críticas, declarando que Galípolo é um traidor da nova política que Lula representa, contrastando com a abordagem neoliberal anterior de Bolsonaro e Paulo Guedes.
Uczai afirmou que não conversou diretamente com Lula sobre as declarações de Galípolo, mas acredita que o presidente não está satisfeito com sua postura defensiva em relação a Campos Neto. Ele também destacou que a gestão de Campos Neto foi temerária quanto ao Banco Master e que Galípolo omitiu a verdade ao dizer que não há responsabilidade de Campos Neto no escândalo.
Antes das críticas de Uczai, outros membros do PT, como o presidente do partido, Edinho Silva, e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), já haviam acusado Galípolo de proteger Campos Neto e demonstrar corporativismo.
Lula declarou publicamente que pediu ao presidente do BC que esclarecesse os envolvidos no caso Master, negando que tenha orientado Galípolo a acusar Campos Neto.
A estratégia do governo de responsabilizar a gestão anterior parte da autorização dada pelo Banco Central, ainda na gestão de Campos Neto, para que Vorcaro assumisse o Banco Máxima (atual Banco Master), após uma tentativa anterior ter sido negada na presidência de Ilan Goldfajn.
Especialistas envolvidos nas análises afirmam que inicialmente Vorcaro e sócios não comprovaram a origem dos recursos para comprar participação majoritária no banco, mas após mudanças na estrutura da operação, ocorreu a autorização.
Para Uczai, Campos Neto é conivente por omissão, citando ainda suspeitas contra o ex-diretor do BC, Paulo Souza, que nega irregularidades.
Na CPI, Galípolo explicou que a liquidação do Master, decretada em novembro do ano anterior, seguiu o processo legal necessário para evitar contestações judiciais. Segundo ele, as suspeitas começaram em fevereiro de 2025, e medidas para ajustar liquidez, balanço e governança foram cobradas ainda em novembro de 2024.
— Mesmo em meados de 2025, havia debates públicos sobre a possível rejeição da compra pelo BRB, e eu ainda respondo a processos sobre se a liquidação foi precipitada. É preciso seguir todo o rito para garantir segurança jurídica e evitar futuras indenizações — concluiu.

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