Mundo
Dólar estável em R$ 4,97 com alta do petróleo
Após mostrar uma leve queda durante a tarde, o dólar à vista recuperou força no final do pregão e terminou o dia de quarta-feira (22) estável, cotado a R$ 4,9740. O fortalecimento do petróleo, com o preço do barril Brent acima de US$ 100, ajudou o real, mesmo com a valorização do dólar no mercado externo e a queda expressiva do Ibovespa.
O aumento do preço do petróleo beneficia os termos de troca do Brasil, o que, em teoria, reduz a possibilidade de cortes na taxa Selic. As perspectivas de juros elevados persistem, mantendo atraente o carry trade e dificultando apostas contra o real.
Apesar do anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de extensão do prazo do cessar-fogo com o Irã, as negociações de paz não avançaram no fim de semana, e o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, continua comprometido. Trump manteve o bloqueio a navios e portos iranianos, enquanto Teerã informou a apreensão de duas embarcações na região.
Mais tarde, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, declarou que Donald Trump ainda não definiu o período para o cessar-fogo, desmentindo rumores de prorrogação da trégua por 3 a 5 dias. Os EUA aguardam resposta das lideranças iranianas, que estão divididas internamente. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que a hostilidade e ameaças dificultam as negociações.
O diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, destaca que, apesar das incertezas nas negociações de paz no Oriente Médio, o real se comporta muito bem. Desde o início do conflito, é a moeda que mais se valorizou. O Brasil tem vantagem por ser exportador líquido de petróleo e contar com uma matriz energética diversificada, incluindo etanol. Além disso, apresenta taxa de juros alta e inflação próxima a 4%. Se a situação fiscal estivesse melhor, o dólar já estaria em R$ 4,50.
Em abril, o dólar já acumulou queda de 3,95%, depois de alta de 0,87% em março, alcançando o menor valor em fechamento nos últimos dois anos. Em 2026, a cotação do dólar caiu 9,38% em relação ao real, que lidera entre moedas mais negociadas, inclusive de emergentes. Destaca-se também o peso colombiano, que subiu mais de 5%, influenciado pela alta do petróleo.
O índice DXY, que mede o dólar frente a seis moedas fortes, subiu ao longo do dia e atingiu 98.643 pontos perto do fechamento do mercado local, devido à queda do euro. A coroa norueguesa, relacionada ao petróleo, avançou mais de 0,30%. Durante a semana, o Dollar Index subiu pouco mais de 0,40%, porém acumula retração de 1,22% em abril.
Economistas e instituições destacados nos encontros de primavera do FMI, realizados em Washington, destacam o otimismo dos investidores com os mercados emergentes. Em relatório, o Bradesco aponta o Brasil como opção atrativa para investimentos em juros e moeda, ressaltando a produção de petróleo, energia limpa, capacidade para receber data centers de inteligência artificial, estabilidade diplomática e ausência de conflitos.
Segundo a equipe de macroeconomia da XP Investimentos, liderada por Caio Megale, investidores estrangeiros veem o Brasil como um vencedor relativo em meio à volatilidade geopolítica no Oriente Médio. A condição de exportador líquido de petróleo deve apoiar o saldo comercial e fortalecer a moeda, ajudando a reduzir a pressão inflacionária, especialmente se o governo conseguir controlar o repasse dos preços dos combustíveis.
O time da XP ressalta que o real provavelmente continuará a se valorizar, apesar da pressão nas taxas de juros de curto prazo devido às limitações para o Banco Central reduzir a Selic neste ano, conforme discutido em encontros com investidores nos Estados Unidos.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login