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Palestinos votam com baixa participação nas primeiras eleições desde a guerra em Gaza
Os palestinos da Cisjordânia, incluindo uma pequena parte da Faixa de Gaza, participaram neste sábado (25) da votação para escolher prefeitos e vereadores, nas primeiras eleições desde o conflito na região costeira, em um processo marcado por baixa participação e desânimo generalizado.
“Estamos muito satisfeitos em exercer a democracia, apesar dos inúmeros desafios que enfrentamos, tanto a nível local quanto internacional”, afirmou Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, aos jornalistas após votar.
Na manhã do sábado, muitos eleitores foram às urnas na Cisjordânia, com a presença de diplomatas estrangeiros acompanhando o processo. Até às 17h local (11h em Brasília), a taxa de participação na Cisjordânia era de 40,62%, segundo a Comissão Eleitoral Central (CEC).
Na área de Deir al-Balah, em Gaza, a participação foi significativamente menor, apenas 21,2%, até o encerramento das urnas às 18h local.
Quase 1,5 milhão de pessoas estavam registradas para votar na Cisjordânia, que está sob ocupação israelense, e 70 mil em Deir al-Balah, conforme dados da CEC, sediada em Ramallah.
“Vamos escolher alguém que possa melhorar nossa comunidade local… questões como o fornecimento de água e reparos nas ruas”, comentou Manar Salman, professora de inglês na cidade.
Por outro lado, alguns questionaram o momento das eleições. “Não queríamos eleições agora, com a guerra em Gaza e os ataques contínuos dos colonos na Cisjordânia”, disse Ziad Hassan, empresário de Dura Al Qaraa.
O atual conflito começou após um ataque do grupo islâmico Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, deixando mais de 72 mil mortos, de acordo com dados do Ministério da Saúde do território, informações confidenciais da ONU.
Desde 10 de outubro de 2025, vigora um cessar-fogo frágil, apesar de episódios quase diários de violência.
Importância do pleito
Na Cisjordânia, palco de aumento da violência por parte dos colonos, observou-se baixa adesão em várias categorias, com diplomatas monitorando o processo eleitoral.
Os governos locais são responsáveis por serviços essenciais como água, saneamento e infraestrutura, mas não possuem poderes legislativos.
Como não ocorrem eleições presidenciais ou legislativas desde 2006, esta votação é uma das poucas instituições democráticas em funcionamento sob a Autoridade Palestina.
Em meio à estagnação econômica, o governo enfrenta diversas acusações de corrupção, enquanto doadores aumentam a pressão por reformas.
Ramiz Alakbarov, coordenador especial adjunto da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, afirmou que essas eleições são “uma oportunidade importante para que os palestinos exerçam seus direitos democráticos em um momento particularmente difícil”.
A União Europeia vê o pleito como “um passo significativo para a democratização e o fortalecimento da governança local”.
Sem participação do Hamas
A maioria dos candidatos são independentes ou alinhados com o Fatah, partido nacionalista e laico do presidente Abbas, no poder desde 2005.
Não há grupos ligados ao movimento islâmico Hamas, rival do Fatah que controla quase metade da Faixa de Gaza.
Alguns candidatos afirmam que foram impedidos de concorrer. É o caso de Mohamad Dweikat, em Nablus; relatos indicam que membros de sua equipe foram detidos até o fim do prazo de inscrição.
“Querem que sejam independentes ou vinculados a algum partido, mas os candidatos não mudam nada na cidade”, lamentou Mahmoud Bader, empresário e eleitor em Tulkarem, norte da Cisjordânia.
A Cisjordânia teve eleições legislativas em 2017 e 2021–2022, mas em Gaza, essas são as primeiras eleições desde 2006, quando o Hamas venceu o pleito legislativo.
O cientista político Jamal al-Fadi, da Universidade Al-Azhar no Cairo, indica que a Autoridade Palestina está realizando eleições em Deir al-Balah apenas para medir seus próprios resultados, já que não houve pesquisas de opinião desde o cessar-fogo de outubro do ano passado.

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