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Economia

Ibovespa cai com cautela externa por guerra e pressão inflacionária retratada no IPCA-15

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A tensão internacional, causada pela guerra no Oriente Médio, aliada às pressões inflacionárias demonstradas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA – 15) de abril, pressiona o Ibovespa para baixo na sessão desta terça-feira, 28. Esse cenário cauteloso se dá na véspera das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).

Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, comenta que “Estamos passando por um momento sazonal desfavorável”, sugerindo que o ditado “Venda em maio e saia” pode estar acontecendo antes do esperado. Ele acrescenta que “parece que alguns investidores estão garantindo lucros para aguardar o rumo das taxas de juros”.

Por volta das 11h20, o índice apresentava queda de 0,65%, atingindo 188.274,82 pontos, depois de alcançar mínima de 187.236,79 pontos. O Ibovespa iniciou a sessão em 189.578,50 pontos, sem variação inicial. Enquanto isso, os juros futuros e o dólar em relação ao real subiam na B3.

As atenções permanecem nos resultados corporativos de empresas como Gerdau e Assaí, cujos balanços já foram divulgados, e Vale, cujo resultado será anunciado após o fechamento do pregão.

A retração do índice reflete o desempenho negativo das bolsas ocidentais, mesmo com a valorização do petróleo em torno de 3% (Brent) e quase 4% (WTI), devido às incertezas sobre a possibilidade de um fim para o conflito entre EUA e Israel contra o Irã. Uma recente proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz foi recebida com ceticismo em Washington. O preço futuro do minério de ferro na Dalian Commodity Exchange caiu 0,89%. Apesar das expectativas de aumento nos lucros da Vale, suas ações registram queda.

Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, destaca que os mercados operam sob clima de precaução diante das incertezas nas negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito que já dura dois meses.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 cresceu 0,89% em abril, depois de um avanço de 0,44% em março. O resultado ficou abaixo do piso das expectativas, que apontava alta de 0,90%. No acumulado anual, o índice chegou a 4,37%, acima dos 3,90% registrados até março.

Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, afirma que o dado reforça um cenário desafiador para o controle da inflação, principalmente por conta de uma surpresa na alta dos preços dos bens industriais, que por muito tempo contribuíram para uma expectativa mais moderada sobre o IPCA.

Bruna Sene observa que o IPCA-15 apresentou aceleração nos núcleos e na difusão, indicando que as pressões inflacionárias continuam dispersas, influenciadas em parte pelo recente aumento no preço do petróleo.

A Petrobras permanece em destaque após concluir a compra de 100% do ring-fence do Campo de Argonauta, na Bacia de Campos, anteriormente detido por Shell, ONGC e Brava. O valor total da aquisição foi de R$ 700 milhões, além de US$ 150 milhões parcelados em três vezes. Em meio à alta do petróleo, as ações da Petrobras subiam mais de 1% no horário mencionado.

Na segunda-feira, 27, o Ibovespa encerrou o dia em baixa de 0,61%, aos 189.578,79 pontos.

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