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Governo pensa como reagir à rejeição de Messias; aliados cogitam romper com Alcolumbre

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Diante de uma derrota inédita no Senado ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), membros do governo Luiz Inácio Lula da Silva debatem a postura que o Palácio do Planalto deve adotar perante o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Enquanto alguns defendem uma retaliação firme, outros aconselham cautela devido à necessidade de aprovar projetos importantes para o presidente em um ano eleitoral.

Messias obteve 34 votos favoráveis, insuficientes para a aprovação, e 42 contra. Esta derrota agrava a tensão entre o Executivo e o Congresso, a menos de seis meses das eleições, e dificulta qualquer reconciliação com Alcolumbre, segundo conselheiros do governo.

Antes da votação, Lula afirmou a aliados que não indicaria outro nome caso Messias fosse rejeitado. O senador Weverton Rocha (PDT-MA), que foi relator da indicação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), também descartou que o presidente proponha outro candidato até as eleições.

Integrantes do Planalto avaliam que Alcolumbre orquestrou a derrota, pois desde o início se opôs à indicação, preferindo o nome do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Segundo relatos, senadores receberam ligações do presidente do Senado incentivando o voto contrário, o que foi negado pela assessoria de Alcolumbre.

A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), sem citar nomes, afirmou que a votação revela um grande acordo entre a oposição bolsonarista e outros interessados, motivados por objetivos eleitorais e pessoais, especialmente daqueles teme as investigações contra escândalos financeiros e o crime organizado.

José Guimarães, ministro da Secretaria de Relações Institucionais, delegou ao Senado a tarefa de esclarecer a decisão, afirmando que o governo respeita o voto soberano dos senadores.

Após a sinalização de que Alcolumbre teria agido contra Messias, membros do governo tentaram contato telefônico com o presidente do Senado, sem sucesso, o que causou surpresa e preocupação no Executivo e entre aliados no Congresso.

Não se esperava derrota, apenas uma vitória apertada que poderia provocar crise institucional. Desde 1894, nenhum indicado presidencial ao STF havia sido rejeitado; aquele caso ocorreu no governo de Floriano Peixoto.

Aliados de Lula discutem ações para enfraquecer Alcolumbre em seu estado, o Amapá, e cogitam romper totalmente com ele por falta de confiança. Outros recomendam cautela para garantir aprovação de projetos importantes, como o fim da escala 6×1 no Congresso, vista como uma vitória popular e trunfo eleitoral.

Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, afirmou que derrotas e vitórias são normais durante o mandato e que isso não afetará a relação institucional de Lula com os líderes do Legislativo.

Um aliado próximo ao Planalto definiu essa como a maior crise do PT desde o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016 e propõe uma ofensiva contra o Senado, incluindo a revisão de emendas e indicações no governo federal.

Outro membro do Executivo recomenda intensificar críticas ao Congresso, retomando a narrativa do “Congresso inimigo do povo”, usada pelo governo anteriormente.

Aliados de Lula reconhecem que essa derrota beneficia politicamente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), concorrente nas eleições, apontando que a rejeição foi influenciada por polarização política, mas minimizam seu impacto nas urnas.

Edinho Silva, presidente do PT, afirmou que o Senado cometeu um erro grave causando instabilidade institucional. Destacou que Messias é um jurista comprometido, e que a rejeição representa a tentativa de setores do Congresso de enfraquecer o Judiciário e usar a indicação para conflitos políticos que fragilizam a democracia.

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