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Centro-Oeste

Trabalhadores protestam contra escala 6×1 no Dia do Trabalho em Brasília

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Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas saíram nas ruas de várias cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, Dia Internacional do Trabalho, para protestar contra o sistema de escala de seis dias trabalhados por um dia de descanso (6×1), exigindo direitos trabalhistas sem redução de salário.

Em Brasília, a manifestação aconteceu no Eixão do Lazer, Asa Sul, organizada por sete centrais sindicais do Distrito Federal, com apresentações culturais e discursos pela diminuição da jornada de trabalho e justiça social. O movimento defende que a redução da jornada aumenta a produtividade, contrariando o que chamam de “terrorismo” promovido por algumas empresas.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, ressaltou que o descanso é um direito humano e uma prática inteligente para as empresas. “O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em situação de desgosto e cansaço muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma questão de justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e também uma medida inteligente para as empresas”, explicou.

Participantes compartilharam experiências pessoais. A empregada doméstica Cleide Gomes, 59 anos, veio com familiares e criticou a falta de direitos trabalhistas, como a ausência de pagamento de horas extras em feriados. A vendedora informal Idelfonsa Dantas falou sobre a luta diária por melhores condições para os trabalhadores.

As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha, aprovadas em concurso público em 2022, mas ainda desempregadas, defenderam a valorização dos profissionais da educação. “As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, comentou Ellen Rocha.

A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, 21 anos, que já trabalhou em jornadas exaustivas, contou que sua saúde melhorou após passar para uma escala 5×2 e defendeu a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. A aposentada Lana Campani chamou a escala 6×1 de “escala da escravidão” e pediu o fim da precarização do trabalho e a manutenção dos direitos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

O sindicalista Geraldo Estevão Coan, que defende os direitos dos operadores de telemarketing, protestou contra a sobrecarga enfrentada por mulheres que acumulam jornadas de trabalho e tarefas domésticas. Ele pediu que os homens dividam as tarefas em casa, ajudando especialmente as trabalhadoras a não precisarem cumprir a escala 6×1.

Durante o ato, houve um breve confronto com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que levaram um boneco vestido com a bandeira do Brasil, provocando os manifestantes. Houve troca de insultos e alguns empurrões, mas a Polícia Militar do Distrito Federal agiu rapidamente e não houve registros de incidentes graves.

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