Brasil
Novo exame de sangue facilita diagnóstico precoce do Alzheimer
O diagnóstico antecipado do Alzheimer tem se tornado uma área de grande avanço na pesquisa biomédica. Tradicionalmente, a confirmação da doença dependia de métodos caros, invasivos ou de difícil acesso, como PET cerebral e análise do líquor. Atualmente, a detecção de alterações associadas ao Alzheimer por meio de exames de sangue está revolucionando essa área, oferecendo uma opção mais simples, acessível e menos invasiva.
Um estudo publicado na revista Nature Communications destaca que o biomarcador sanguíneo pTau217 consegue identificar sinais da doença anos antes dos sintomas aparecerem, até mesmo antes das alterações visíveis em exames de imagem.
Realizado pelo Mass General Brigham, vinculado à Universidade de Harvard, o estudo monitorou 317 adultos cognitivamente normais, entre 50 e 90 anos, durante cerca de oito anos. Durante esse período, os participantes realizaram exames de sangue para medir o pTau217, PET amiloide e tau, além de avaliações cognitivas regulares.
Os resultados mostraram que indivíduos com níveis elevados de pTau217 apresentaram uma progressão mais rápida das alterações características do Alzheimer, mesmo quando os exames de imagem ainda não indicavam anormalidades. Por outro lado, aqueles com baixos níveis desse biomarcador apresentaram baixa probabilidade de acumular beta-amiloide nos anos seguintes.
A crescente evidência sobre a eficácia de métodos menos invasivos tem despertado grande interesse entre pacientes e familiares. Pesquisa da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, com quase 600 pessoas acompanhadas na atenção primária, revelou que 85% aceitariam realizar um exame de sangue para avaliar risco de Alzheimer mediante recomendação médica. Após receber informações sobre o teste, 94% consideraram importante oferecer essa possibilidade para pessoas com queixas de memória ou raciocínio.
É importante destacar que a comunicação dos resultados precisa ser cuidadosa, pois quase 75% dos participantes relataram que um resultado positivo poderia causar sofrimento emocional. Ainda assim, cerca de 87% afirmaram que, caso tivessem maior risco, adotariam medidas para proteger a saúde cerebral, como controle de doenças crônicas, mudanças alimentares e acompanhamento médico.
Helio Magarinos Torres Filho, patologista clínico e diretor médico do Richet Medicina & Diagnóstico, além de colaborador em pesquisas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), destaca que os biomarcadores sanguíneos representam um avanço significativo na investigação do Alzheimer.
“Estamos avançando para um cenário onde será possível identificar o Alzheimer de maneira mais simples, acessível e menos invasiva. Isso pode transformar a experiência do paciente, permitindo investigação precoce e melhor planejamento do cuidado”, afirma Magarinos.
Ele também lembra um estudo brasileiro publicado na mesma revista, conduzido por pesquisadores do IDOR, que identificou o pTau217 como um biomarcador sanguíneo promissor para detectar o Alzheimer.
Esse exame apresentou alta precisão para identificar pacientes com alterações compatíveis com a doença no líquor. Isoladamente, o marcador alcançou índice de acerto de 0,94 numa escala até 1. Quando combinado a outro parâmetro biológico, o desempenho subiu para 0,98, índice considerado excelente.
Isso indica que o teste está próximo da precisão dos métodos mais complexos para identificar sinais biológicos do Alzheimer, revela Magarinos.

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