Brasil
Fiscal recebeu salários altos mesmo foragido por esquema no ICMS
O fiscal aposentado da Receita paulista Alberto Toshio Murakami, de 63 anos, conhecido como “Americano”, está foragido da Justiça sob suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção relacionado ao ressarcimento de ICMS a grandes redes varejistas e atacadistas. Mesmo assim, ele recebeu R$ 186 mil em salários líquidos desde agosto.
Murakami reside em Clarksville, nos Estados Unidos, em uma casa de alto padrão avaliada em cerca de R$ 7 milhões. A Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento afirmou que os pagamentos aos aposentados seguem a legislação vigente, não havendo previsão para suspensão durante investigações ou processos disciplinares. Se as acusações forem confirmadas no Processo Administrativo Disciplinar (PAD), a aposentadoria pode ser cancelada.
O Portal da Transparência de São Paulo informa que Americano recebeu parcelas de seus proventos mensalmente, mesmo já foragido, apresentando variações nos valores pagos entre agosto e março.
Em março, sua defesa comunicou que ele não pretende retornar ao Brasil, alegando ter um projeto de vida nos EUA. Para os investigadores, essa atitude desrespeita a Justiça brasileira.
Aposentado desde janeiro de 2025, Murakami é suspeito de receber grandes quantias em dinheiro de Aparecido Sidney Oliveira, empresário dono do Grupo Ultrafarma. No posto fiscal onde trabalhava, analisava e aprovava pedidos de ressarcimento de ICMS-ST, beneficiando diretamente a empresa.
Alberto Toshio Murakami era o fiscal mais próximo de Artur Gomes da Silva Neto, apontado como líder de um esquema de propinas que teria movimentado ao menos R$ 1 bilhão, facilitando a aprovação rápida de créditos fiscais. Desde a deflagração da Operação Ícaro, Artur está preso e tentou firmar delação premiada, que não avançou por falta de informações relevantes.
O fiscal, casado e com família nos Estados Unidos, argumenta que seu afastamento é parte de um plano de vida pós-aposentadoria. Sua esposa é CEO de uma empresa de importação de mármore nos EUA. A Justiça de São Paulo solicitou sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol, conforme pedido dos promotores do Gedec.
A defesa afirma que a mudança para o exterior ocorreu de forma natural, pois a família já reside há mais de 20 anos nos Estados Unidos.

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