Conecte Conosco

Notícias Recentes

Crise na campanha de Flávio após caso Vorcaro

Publicado

em

A revelação de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociou com o banqueiro Daniel Vorcaro o financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro gerou uma tarde de confusão, silêncio e improvisação na liderança do PL.

Segundo relatos ao Globo por senadores da oposição, membros da campanha e aliados próximos, a divulgação da reportagem do Intercept Brasil mergulhou o entorno do senador em um verdadeiro caos, com parlamentares reclamando da falta de orientação política, grupos de WhatsApp silenciados e uma reunião emergencial convocada às pressas no QG da campanha, em uma casa no Lago Sul, Brasília.

O encontro, que durou cerca de três horas e meia, contou com a presença do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, do senador Rogério Marinho e integrantes do núcleo jurídico, político e de comunicação da pré-campanha. Aliados abandonaram compromissos para rapidamente se reunirem após o conteúdo começar a circular entre parlamentares bolsonaristas.

Diante da repercussão, Flávio adiou sua viagem ao Rio de Janeiro para permanecer em Brasília e acompanhar os desdobramentos da crise, alinhando a estratégia política da campanha.

No início do encontro, o senador afirmou que havia “risco zero” de novos vazamentos, garantindo que aquele foi o único contato com o banqueiro relacionado ao filme, buscando tranquilizar a equipe.

Contudo, integrantes da campanha passaram a tratar o episódio como a primeira grande turbulência da pré-campanha presidencial, adotando um discurso de normalidade e reconhecendo que novas crises podem surgir até as eleições de outubro de 2026.

A reportagem do Intercept apresenta mensagens, comprovantes bancários e cronogramas que indicam uma negociação de US$ 24 milhões — aproximadamente R$ 134 milhões — entre Vorcaro e aliados da família Bolsonaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente.

Segundo a publicação, pelo menos US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025.

O impacto foi imediato, atingindo um dos principais esforços recentes da campanha de Flávio: dissociar o bolsonarismo do escândalo envolvendo o Banco Master e consolidar o senador como o nome mais competitivo da direita contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.

O ambiente no Lago Sul foi descrito como “péssimo”, “muito tenso” e “desorganizado” pelos interlocutores.

A maior preocupação era o potencial eleitoral da crise, especialmente após pesquisas internas mostrarem a competitividade de Flávio.

Na terça-feira, pesquisa Genial/Quaest mostrou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador em cenários de segundo turno, trazendo alívio após apreensão causada pelas operações envolvendo o senador Ciro Nogueira.

Até a divulgação da reportagem, a avaliação era de que o escândalo bancário não contaminava diretamente a candidatura de Flávio. A preocupação passou a ser que o caso reabra frentes de desgaste exatamente quando se busca apresentá-lo como nome menos radical e capaz de atrair o centro e empresariado.

Horas antes, o senador negou ao Intercept a autenticidade das mensagens. Porém, aliados avaliaram que a negativa prejudicou a imagem, pois o material divulgado contrariava o discurso inicial.

Assim, o ambiente político mudou rapidamente, com grupos de WhatsApp silenciando e parlamentares evitando manifestações por falta de orientação oficial.

Enquanto governistas exploravam o tema nas redes, a oposição lamentava a falta de coordenação política, especialmente durante a reunião no Lago Sul.

Divergências na reação da campanha foram evidentes: alguns defendiam confronto direto com o Intercept, outros sugeriam abandonar a negativa ampla para minimizar danos diante do material já divulgado.

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, responsável pelo jurídico, expôs riscos políticos e jurídicos, orientando para minimizar desgaste.

Foi então elaborada a estratégia de admitir a busca por patrocínio privado para o filme, mas sustentar ausência de ilegalidade, proposta por Rogério Marinho e divulgada em nota oficial por Flávio.

Essa abordagem foi vista como menor dano, reconhecendo parcialmente as tratativas em vez de negar tudo após a divulgação do material.

Auxiliares tentam conter o pânico e afirmam que a crise deverá arrefecer nos próximos dias, retomando normalidade ainda nesta semana.

Interlocutores levantaram suspeitas de vazamentos seletivos, reforçando narrativa de perseguição política ao senador em meio à pré-campanha.

Na nota oficial, Flávio confirmou ter procurado Vorcaro para patrocínio privado do filme, conhecido desde dezembro de 2024, antes das acusações públicas sobre o banqueiro, e que o contato foi retomado devido a atrasos no financiamento.

Negou oferecimento de vantagens em troca de apoio financeiro, afirmando não ter agido em favor do banqueiro junto ao poder público ou recebido dinheiro ou vantagens.

A campanha também tentou mudar o foco para o governo federal, defendendo CPI para investigar o Banco Master e destacando que sua relação com Vorcaro difere das relações suspeitas do governo Lula.

Apesar da nota, o clima permaneceu tenso, com bolsonaristas avaliando negativamente o impacto eleitoral, chegando a discutir substituição do senador pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro caso ele perca força.

O sentimento entre aliados era de irritação, perplexidade e insegurança quanto aos próximos passos, resumido por um senador da oposição com frases fortes expressando insatisfação profunda.

Clique aqui para comentar

Você precisa estar logado para postar um comentário Login

Deixe um Comentário

Copyright © 2024 - Todos os Direitos Reservados