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Economia

Lula e Trump pedem solução para tarifas em 30 dias

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (7), após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, que representantes dos dois países trabalharão juntos para apresentar uma proposta para solucionar o impasse tarifário e investigar as disputas comerciais abertas pelos EUA contra o Brasil desde o ano passado.

O objetivo é apresentar uma proposta para os dois líderes em cerca de 30 dias. O Brasil defende o encerramento da investigação iniciada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Lula explicou: “Vamos formar um grupo de trabalho com o Ministério da Indústria e Comércio do Brasil e o Ministério do Comércio dos EUA para, em 30 dias, apresentar uma proposta definitiva. Qualquer um que estiver errado cederá”.

Os EUA acusam o Brasil de práticas comerciais desleais, envolvendo o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual.

Em abril, técnicos brasileiros estiveram nos EUA para defender o país contra tais acusações. O governo brasileiro questiona a legitimidade da Seção 301, argumentando que não está alinhada com regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Lula também afirmou que o tema do Pix não foi discutido durante sua conversa com Trump.

Reunião Longa e Produtiva

Lula e Trump se encontraram por mais de três horas, incluindo um almoço oferecido na Casa Branca. A coletiva de imprensa foi realizada após a reunião, conforme pedido do presidente brasileiro.

Donald Trump destacou em redes sociais que conversaram sobre vários temas, inclusive comércio e tarifas, elogiando Lula como um líder dinâmico.

Trump escreveu: “A reunião foi muito produtiva. Nossas equipes continuarão a se reunir para discutir pontos importantes”.

Lula ressaltou que o Brasil está disposto a debater qualquer assunto com qualquer país, desde que sejam respeitados a democracia e a soberania nacional.

Combate ao Crime Organizado

Na coletiva, Lula anunciou que o governo lançará um plano contra o crime organizado na próxima semana. Uma das frentes de trabalho entre Brasil e EUA será a cooperação para bloquear financeiramente organizações criminosas que atuam nos dois países.

“Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”, afirmou o presidente.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, garantiu que equipes da Receita Federal e dos EUA devem realizar operações conjuntas para combater o contrabando de armas e o tráfico de drogas sintéticas.

Lula esclareceu que não foram tratados temas sobre facções criminosas brasileiras, e que a possível designação dessas facções como grupos terroristas pelos EUA é vista como um risco à soberania brasileira.

Exploração de Materiais Estratégicos

Outro ponto da reunião foi a discussão sobre investimentos na exploração de minerais críticos e terras raras, importantes para a indústria de alta tecnologia.

Lula informou que o Brasil aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com a criação de um conselho para identificar esses minerais.

O Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, com potencial ainda pouco explorado.

“Estamos abertos a parcerias, mas não queremos ser apenas exportadores desses recursos. Pretendemos agregar valor internamente”, garantiu o presidente.

Restrição de Vistos

Lula apresentou a Trump uma lista de autoridades brasileiras que ainda enfrentam restrições de vistos nos EUA, como retaliação relacionada ao julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.

Algumas restrições foram suspensas, mas ainda afetam pessoas como a filha do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

A comitiva brasileira contou com ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Contexto da Relação Comercial

A relação comercial entre Brasil e EUA enfrenta tensão desde 2025, devido à política protecionista adotada por Donald Trump, que aplicou tarifas sobre aço e alumínio, produtos importantes para o Brasil.

Além das medidas econômicas, críticas políticas também influenciaram o cenário, incluindo ações relacionadas ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 2025, os EUA aumentaram tarifas em vários produtos brasileiros, alegando falta de reciprocidade; o Brasil respondeu intensificando negociações diplomáticas e acionando a OMC.

O governo brasileiro também adotou medidas de retaliação para evitar agravamento do conflito.

Mais recentemente, os EUA reduziram algumas taxas e substituíram as tarifas por uma tarifa global temporária de cerca de 10%, mantendo taxas elevadas para setores como aço e alumínio.

A comitiva retorna ao Brasil nesta sexta-feira (8), após a visita a Washington.

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