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Lula ganha força entre mulheres e eleitores independentes; disputa com Flávio segue apertada
A pesquisa Genial/Quaest mais recente, divulgada nesta quarta-feira, 13, revela que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu frear a queda no índice de aprovação que vinha ocorrendo nos últimos meses. O cenário eleitoral, porém, permanece equilibrado, com uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro.
A aprovação do governo federal subiu de 43% em abril para 46% em maio, enquanto a desaprovação caiu de 52% para 49%. Com isso, a diferença entre aprovação e desaprovação, conhecida como saldo, diminuiu de nove pontos percentuais negativos para três pontos negativos em apenas um mês.
Esse avanço foi impulsionado principalmente pelos eleitores independentes, onde a aprovação ao governo cresceu de 32% para 37% e a desaprovação caiu de 58% para 52% no mesmo período.
Segundo o cientista político e professor do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, Hilton Fernandes, “O principal destaque da pesquisa Quaest foi a melhoria na avaliação do governo Lula. Mesmo que o aumento seja pequeno, ele ocorre de forma mais significativa em grupos como eleitorado feminino e independentes.”
Entre as mulheres, o índice de aprovação do presidente subiu de 45% para 48%, enquanto a desaprovação diminuiu de 49% para 44%, invertendo a diferença negativa anterior.
Fernandes ressalta que “O crescimento na aprovação entre as mulheres é notável e pode indicar uma resistência ao discurso de ódio que alimenta a polarização política, possivelmente afetando os resultados eleitorais. Será fundamental acompanhar como esse grupo votante irá se comportar nas pesquisas futuras.”
No panorama eleitoral, Lula aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro, com 42% das intenções de voto contra 41% deste na simulação de segundo turno. A diferença, todavia, está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, mantendo um empate técnico pelo terceiro levantamento consecutivo.
O desempenho de Lula junto aos eleitores independentes também melhorou, revertendo uma queda desde janeiro. Conforme comenta Felipe Nunes, CEO da Quaest, esse segmento será decisivo para o resultado das eleições.
Em janeiro, Lula liderava entre independentes com 37%, contra 21% do senador. Após uma inversão em março, o cenário se equilibrou novamente, com Flávio Bolsonaro a 31% e Lula a 29%.
Flávio Bolsonaro mantém vantagem no Sul, Sudeste e Centro-Oeste/Norte, além de liderar entre evangélicos, enquanto Lula concentra apoio no Nordeste e em grupos de menor renda, escolaridade menor, entre católicos e beneficiários do Bolsa Família.
O senador alcançou sua maior aceitação entre os evangélicos, com 61% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Lula teve seu menor percentual nesse grupo, 24%. Já entre os católicos, a aprovação do petista subiu cinco pontos, enquanto caiu quatro para Flávio Bolsonaro.
Na disputa por gênero, Lula ampliou seu apoio feminino de 42% para 45%, contrastando com uma pequena queda do senador, de 37% para 36%. Entre homens, Flávio mantém confortável vantagem.
Ambos os candidatos fazem esforços para conquistar o eleitorado feminino. Lula, recentemente, sancionou leis contra a violência doméstica, enquanto Flávio Bolsonaro tem envolvido sua esposa em atividades de campanha e manifestado apoio a causas contra a misoginia.
Para reforçar o apoio religioso e feminino, há movimentações para que a deputada federal Simone Marquetto seja vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Conhecida por sua forte ligação com a Igreja Católica e atuação nas redes sociais, ela representa um elo com segmentos conservadores religiosos.
Por faixa etária, Flávio lidera entre jovens de 16 a 34 anos, enquanto Lula domina entre maiores de 60 anos. A principal batalha está no grupo de 35 a 59 anos, onde Lula voltou a liderar após ter ficado atrás nas pesquisas anteriores.
No segmento de renda média, Lula diminuiu a vantagem de Flávio, reduzindo a diferença de 11 para quatro pontos percentuais.
Felipe Nunes observa que “Há otimismo crescente entre mulheres, trabalhadores ativos e população de renda média sobre os benefícios do programa Desenrola 2.0, aliado a uma melhora na popularidade do governo devido a notícias positivas recentes.”
O programa mencionado, lançado no início do mês, oferece renegociação de dívidas e é conhecido por 57% dos brasileiros. Metade avalia a iniciativa como positiva, 22% acham que ajuda parcialmente, enquanto 23% consideram que pode incentivar o superendividamento.
Além disso, houve aumento dos eleitores que percebem notícias favoráveis sobre o governo, subindo de 23% para 32%, enquanto os que observam mais notícias negativas recuaram de 48% para 43%.
Um episódio de destaque foi o encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conhecido por 70% dos eleitores. Desses, 43% acreditam que Lula saiu fortalecido, 26% acham que saiu enfraquecido, e 13% afirmam que não houve impacto.
A maioria, 60%, avalia a reunião como positiva para o Brasil, enquanto uma minoria julga o encontro como ruim ou sem impacto claro.
O cientista político e professor Jairo Pimentel, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da FESPSP, pontua que a retomada da popularidade de Lula está ligada mais a mudanças conjunturais e no ambiente político do que a transformações estruturais no eleitorado. Os grupos moderados, independentes e mulheres, mais sensíveis a esse clima, mostram maior melhora, mas ele ainda não possui uma folga confortável nas pesquisas.
De acordo com Jairo Pimentel, “Existem desafios econômicos importantes, como a alta dos preços dos alimentos e a perda do poder de compra, apontados por 69% da população. Apesar disso, há uma redução no pessimismo econômico, com menos pessoas acreditando em piora nos próximos meses. Esse cenário indica que Lula interrompeu sua queda e voltou a ser competitivo para 2026, porém sem garantir uma vantagem segura.”

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