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Joaquim Barbosa substitui Aldo Rebelo no Democracia Cristã e pode haver disputa judicial
O anúncio da pré-candidatura ao Planalto de Joaquim Barbosa, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo Democracia Cristã (DC), deslocou o ex-ministro Aldo Rebelo, que até então era o presidenciável da sigla.
A mudança, causada pelo baixo desempenho de Rebelo nas pesquisas, gerou uma divisão no partido, com manifestações públicas de descontentamento de outros integrantes da legenda.
Após décadas como membro do PCdoB, Aldo Rebelo se aproximou do bolsonarismo nos últimos anos e foi apresentado em janeiro como uma alternativa para representar a direita.
Sem representantes no Congresso e sem tempo gratuito na programação partidária de rádio e TV, o partido apostava na candidatura para ter voz no debate presidencial e, conforme interlocutores, deu um prazo de seis meses para Rebelo aumentar sua pontuação nas intenções de voto.
Nas últimas três pesquisas da Genial/Quaest, no entanto, ele não só não avançou como deixou de pontuar — em março, Rebelo tinha entre 1% e 2%; no começo deste mês, 0%.
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Aldo Rebelo declarou que “se houver ameaça à minha pré-candidatura, nesse caso, o assunto será levado à Justiça”. Joaquim Barbosa não se manifestou.
Joaquim Barbosa decidiu se filiar ao DC em abril e, por determinação da direção do partido, liderada pelo ex-deputado federal João Caldas, seu nome foi avaliado em pesquisas qualitativas para medir a aceitação do eleitorado.
Primeiro homem negro a ocupar uma cadeira no STF, Barbosa permaneceu no tribunal por 11 anos (2003 a 2014) e o presidiu de 2012 a 2014. Foi relator do processo do mensalão, um dos maiores escândalos de corrupção dos governos Lula e Dilma, que resultou na condenação de 24 réus, incluindo o ex-ministro José Dirceu.
Na mesma época, Barbosa teve desentendimentos com colegas da Corte, como os ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio Mello e Cezar Peluso. Sua experiência foi avaliada positivamente pelo eleitorado e influenciou a escolha do partido para apoiar sua candidatura, de acordo com Adriano Gehres, publicitário responsável pelo tracking interno do partido.
“Por não pertencer a nenhum dos dois lados ideológicos e possuir características que atraem eleitores de ambas as vertentes, Joaquim Barbosa tem capacidade para conquistar votos tanto da esquerda quanto da direita. Ele tira votos de candidatos que estão abaixo dos 5% e que não empolgam, e, principalmente, conquista votos entre os indecisos”, afirmou Gehres.
Em 2018, Barbosa chegou a se filiar ao PSB com o objetivo de disputar a presidência, mas desistiu após reflexão e anunciou sua decisão pelas redes sociais. Para este ano, ele planeja atuar na pauta de “moralização” do STF diante dos desdobramentos do caso Master e considera propor um mandato para ministros.
A escolha do DC por Barbosa causou protestos de Aldo Rebelo, que, em nota nas redes sociais, afirmou que seguirá na disputa presidencial. “Candidaturas são projetos coletivos e não de grupos ou interesses próprios”, disse.
O presidente do diretório do DC em São Paulo e aliado de Rebelo, ex-deputado Cândido Vaccarezza, chamou a candidatura de Barbosa de “inaceitável” e afirmou que o ex-ministro do STF “não está comprometido com a democracia e nem possui experiência política”.
Durante uma convenção em Roraima, o presidente estadual do partido, Paulo César Quartiero, classificou Aldo Rebelo como um “estadista” e acusou Barbosa de traição, destacando que enquanto estava no STF votou pela demarcação de terras na reserva Raposa Serra do Sol, que originou o julgamento sobre o Marco Temporal na Corte.

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