Economia
Vendas do varejo crescem além da previsão para junho
O volume de vendas no varejo em junho cresceu 0,5%, ultrapassando a estimativa de 0,1% divulgada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O varejo restrito registrou alta em junho comparado a maio, que teve crescimento revisado para 0,3%. O desempenho foi melhor que o esperado pela CNC, que projetou uma alta de apenas 0,1%.
A melhora nas vendas foi puxada pela recuperação do setor de supermercados e hipermercados, que subiu 1,1% depois de uma queda de 1,4% em maio.
Apesar do índice mensal positivo, a média móvel trimestral apresentou uma queda de 0,3%, indicando que a recuperação ainda não é sólida, segundo a CNC.
Entre os oito segmentos analisados no varejo restrito, metade apresentou crescimento em junho. O destaque ficou para os hipermercados, supermercados, alimentos, bebidas e fumo, que cresceram 1,1% após recuarem em maio. Esse grupo tem grande peso na pesquisa e foi fundamental para o resultado geral.
A CNC também mencionou que os preços dos alimentos para consumo em casa caíram 0,39% em junho, após alta de 1,65% em maio, o que aliviou o orçamento das famílias e colaborou para o aumento das vendas, ainda que de forma gradual.
Outros segmentos que tiveram crescimento foram artigos de uso pessoal e doméstico (2,4%), móveis e eletrodomésticos (0,4%) e produtos farmacêuticos (0,2%), sendo que este último completou 40 meses consecutivos de crescimento anual.
Por outro lado, quatro categorias tiveram queda: livros, jornais, revistas e papelaria caíram 9,9%; tecidos, vestuário e calçados diminuíram 2,6%; combustíveis e lubrificantes caíram 1,7%; e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação recuaram 1,3%.
O segmento de livros e papelaria é pequeno e mais volátil, tendo apresentado alta de 16,1% em maio. A queda no vestuário ocorreu mesmo com os preços tendo baixado 2,2%.
O varejo ampliado registrou queda de 1,0% em junho, a terceira seguida, com retração média trimestral de 0,7% e crescimento acumulado de 0,8% em 12 meses. A baixa foi causada principalmente pelas vendas de veículos, motos e peças, que recuaram 1,5%, e materiais de construção, com queda de 3,5%. Ambos acumulam perdas anuais de 1,2% e 1,8%, respectivamente.
João Vitor Gonçalves, economista da CNC, explicou que setores que dependem de compras de maior valor sofrem com crédito restrito. A taxa Selic estava em 14,25% no fim de junho, e a pesquisa de endividamento da CNC mostrou que 81,6% das famílias estavam endividadas e 29,9% com contas atrasadas, limitando o poder de compra.
Para julho, a CNC espera alta de 0,6% nas vendas do varejo restrito, já com ajuste sazonal, e para 2026 a previsão é de crescimento de 21%.
João Vitor Gonçalves ressaltou que a economia do país segue em desaceleração. O comércio apresenta desempenho variado conforme o setor, sendo que o elevado endividamento das famílias e os juros altos continuam a restringir principalmente as vendas de produtos que dependem muito de crédito.

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