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Limpar é cuidar: O que o Brasil ainda não compreendeu sobre o meio ambiente
Cláudio Abreu/GYN Notícias
Todos os anos, no dia 5 de junho, o mundo para pra falar de Meio Ambiente. Discursos são proferidos, metas são reafirmadas, campanhas são lançadas. E no dia 6, a vida segue como antes. O Brasil não pode mais se dar ao luxo desse ritual vazio.
A crise ambiental que enfrentamos não é uma abstração climática distante. Ela está nas ruas, nos rios que cortam nossas cidades, nos terrenos baldios tomados pelo lixo, nas enchentes que destroem bairros inteiros. Ela é, em grande medida, uma crise de gestão de resíduos e, portanto, uma crise de limpeza urbana.
Os números de 2025 são brutais e não deveriam passar em branco nesta data. Mais de 81 milhões de toneladas de resíduos sólidos foram produzidas no Brasil. Desse total, 40% foram parar em aterros irregulares ou lixões a céu aberto, ambientes proibidos há mais de uma década pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, mas que seguem operando impunemente. A taxa de reciclagem? Apenas 4,5%. A meta legal era de 20%.
Esses não são dados de uma nação em desenvolvimento que ainda está encontrando seu caminho. São dados de um país que aprovou uma das legislações ambientais mais avançadas do mundo e escolheu, sistematicamente, não a cumprir. A PNRS existe. As obrigações existem. O que falta é vontade política, e o reconhecimento de que o setor privado de limpeza urbana é parte indispensável da solução.
Existe uma dissociação perigosa no debate ambiental brasileiro: fala-se de florestas, de carbono, de energia limpa, e quase nunca se fala de coleta, de varrição, de gestão de resíduos urbanos. Como se a crise climática habitasse outro planeta que não aquele onde o lixo se acumula nas sarjetas de nossas cidades.
A realidade é que a limpeza urbana é a linha de frente da política ambiental. É ela que impede que resíduos contaminem lençóis freáticos. É ela que viabiliza a reciclagem e a economia circular. É ela que protege a saúde pública quando as chuvas chegam e o lixo nas galerias transforma ruas em rios de detritos. Não há agenda ambiental séria que ignore essa cadeia.
As empresas associadas à Associação das Empresas de Engenharia e Limpeza Urbana do Brasil (Alubrás) operam diariamente nessa fronteira invisível. São elas que coletam, transportam, tratam e destinam os resíduos gerados por milhões de brasileiros. Fazem isso por meio de contratos públicos, sujeitos a toda a complexidade da legislação licitatória nacional. E fazem isso, muitas vezes, sem o reconhecimento que merecem, tanto do poder público quanto da sociedade.
Há um dado que costuma ser ignorado no debate sobre resíduos: o Brasil desperdiça bilhões anualmente ao deixar de aproveitar materiais que poderiam retornar à cadeia produtiva. Reciclagem ineficiente é sinônimo de oportunidade econômica perdida, empregos que não são gerados, receita que não circula, infraestrutura que não se financia.
Quando municípios negligenciam contratos de limpeza urbana, quando licitações são conduzidas com critérios que inviabilizam economicamente as empresas sérias, quando o setor é tratado como custo e não como investimento, a conta não desaparece. Ela é transferida para o meio ambiente, para o sistema de saúde pública e para as gerações futuras.
O Dia Mundial do Meio Ambiente é uma oportunidade para nomear esse custo com clareza. E para exigir que gestores públicos, legisladores e a sociedade civil incluam a limpeza urbana no centro das discussões ambientais, não como nota de rodapé, mas como protagonista.
A Alubrás não celebra esta data com simbolismo vazio. Celebra com trabalho: acompanhando legislações, assessorando associados, participando de debates regulatórios e pressionando por um ambiente de licitações mais justo, transparente e tecnicamente sério.
Defendemos que contratos de limpeza urbana sejam tratados como política pública de meio ambiente. Defendemos marcos regulatórios que incentivem a reciclagem e que punam com rigor o descarte irregular. Defendemos, acima de tudo, que as cidades brasileiras levem a sério o que a Política Nacional de Resíduos Sólidos diz há mais de quinze anos: resíduo tem destinação correta, e essa destinação tem nome, tem empresa, tem trabalhador. Ignorar isso não é uma posição neutra. É uma escolha, com consequências.
Neste 5 de junho, a Alubrás renova seu compromisso com o setor e com o país. Limpar é cuidar. E cuidar de cidades é, sempre, cuidar do meio ambiente.
*Claudio Abreu – Empresário com trajetória consolidada no setor de engenharia, infraestrutura e limpeza urbana. À frente da Alubrás, lidera a defesa institucional das empresas associadas junto a órgãos legislativos, regulatórios e ao debate público sobre gestão de resíduos e licitações no Brasil.

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