Centro-Oeste
Projeto limpa e transforma 13 áreas antes usadas para descarte irregular
Carlos Eduardo Bafutto, da Agência Brasília | Edição: Chico Neto
O empresário Santiago Lucena, de 35 anos, adiou por cerca de um ano a abertura de uma hamburgueria na CNR 1, em Ceilândia. Ao lado do comércio, o acúmulo de lixo e animais mortos afastava a família e impedia os planos de receber clientes. Com a retirada dos resíduos pelo projeto De Cara Nova, do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), ele prepara o estabelecimento para abrir ao público. O espaço, no Conjunto Q, é um dos 13 pontos de descarte irregular recuperados pela iniciativa na cidade neste ano.
Santiago comemora a chegada do projeto à região em que mora: “Deu um incentivo para a gente poder continuar trabalhando e, o mais breve possível, abrir a nossa loja para o público, para a comunidade”.
Agora, pretende inaugurar o comércio em dezembro. Antes, o ambiente não permitia a abertura do negócio devido às condições do entorno. O projeto somou 29 áreas recuperadas neste ano em Ceilândia, Planaltina, Estrutural, Recanto das Emas, Plano Piloto e Sobradinho, reunindo a limpeza, organização dos espaços e orientação à população para evitar novos despejos de lixo.
As equipes, após a limpeza, instalavam pneus reaproveitados pintados com tinta resistente à água, que além de compor os espaços, dificultam a entrada de veículos usados para despejar resíduos. Placas são colocadas para orientar sobre o descarte correto.
O subdiretor de Limpeza Urbana do SLU, Everaldo Araújo, estima que são retiradas de oito a dez toneladas de resíduos por ponto nas áreas menores, chegando a 15 a 20 toneladas nas maiores. Ele destaca que além do problema de sujeira, o lixo pode obstruir bocas de lobo e galerias de águas pluviais, causando transtornos no período chuvoso.
O administrador regional de Ceilândia, Renato Santana, explica que a manutenção da cidade é feita por equipes da administração, do SLU e da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap). Segundo ele, o SLU gasta cerca de R$ 7 milhões por mês com a limpeza e a retirada de lixo descartado irregularmente nas ruas.
Renato ressalta a dificuldade da manutenção constante nesse ciclo de descarte: “O Estado faz a limpeza, faz a manutenção, e, no dia seguinte, aquele espaço está cheio de lixo.” Ele também comenta que esses gastos poderiam ser destinados a outras melhorias importantes para a população, como escolas, praças e asfalto.
Para a dona de casa Jucelilia Inácio da Silva, 52 anos, a mudança é muito positiva. Antes da limpeza, ela precisava combater ratos e impedir o descarte na área em frente à casa da mãe, que era muito usada para jogar lixo. Agora, as crianças brincam naquele local com alegria, e os moradores colaboram para conservar o espaço limpo.


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