Economia
Tarifa de energia ficará verde em novembro, sem custo extra
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou nesta sexta-feira (30) que a bandeira tarifária permanecerá verde durante o mês de novembro, o que significa que não haverá acréscimo na conta de luz. Antes disso, a bandeira amarela vigorou por cinco meses, adicionando um custo extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.
Em outubro, o volume de chuva aumentou nas regiões Sul e Sudeste devido à transição entre os períodos seco e úmido, ajudando a estabilizar os níveis dos reservatórios das hidrelétricas. A bandeira verde indica essas condições favoráveis para a geração de energia, graças à melhora no regime de chuvas nas áreas onde estão as principais hidrelétricas.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) já previa a bandeira verde a partir de outubro, baseando-se em cinco cenários traçados previamente, o que marca uma diferença em relação ao mesmo mês de 2025, quando a bandeira vermelha patamar 1 foi adotada devido ao atraso no período úmido.
Além do risco hidrológico, que pode elevar as bandeiras tarifárias mais caras, outro elemento significativo é o aumento do Preço de Liquidação de Diferenças (PLD), que representa o custo da energia gerada em determinado período. Alan Henn, CEO da Voltera, destaca que a manutenção da bandeira verde é sinal de boas condições para geração e evita cobranças adicionais, mas lembra que isso não necessariamente reduz o valor final da conta, que depende também das tarifas de cada região e do consumo.
Embora a perspectiva seja mais positiva, o fenômeno El Niño requer atenção, pois pode alterar o padrão de chuvas e elevar as temperaturas, afetando a disponibilidade energética no Norte do país e aumentando o consumo devido ao calor.
O Ministério de Minas e Energia (MME) autorizou antecipar o início do fornecimento de energia de cinco contratos vencedores de leilões recentes, garantindo reforço no Sistema Interligado Nacional a partir de setembro.
Com uma previsão de El Niño intenso, a Aneel também informou que os geradores isolados do Norte já receberam recursos antecipados para estocar combustível diante da possível dificuldade de navegação causada pelo fenômeno climático.
Fred Menezes, diretor de Comercialização da Armor Energia, acredita que o risco do El Niño diminuiu, pois seu impacto maior deve ocorrer na primavera, e que o início do período úmido em 2027 é vital para manter os preços baixos durante o ano. Ele também ressaltou que mudanças na metodologia de carga da ANDE, do Paraguai, podem aumentar o consumo paraguaio da energia de Itaipu, reduzindo a oferta para o Brasil e pressionando os custos por aqui.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) ressalta que é preciso manter a vigilância, considerando que os reservatórios ainda não se recuperaram completamente e as previsões climáticas para as próximas semanas ainda geram incertezas. Apesar disso, o cenário atual não elimina os riscos relacionados ao custo da energia.

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