Brasil
Anfavea alerta: montagem de veículos com kits importados pode eliminar 69 mil empregos
Um levantamento recente divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revela que a substituição da fabricação completa de veículos no Brasil pela montagem com kits importados pode resultar na perda de 69 mil empregos diretos e impactar cerca de 227 mil empregos indiretos em toda a cadeia produtiva.
O estudo destaca que o crescimento dos sistemas CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), utilizados para a montagem de veículos, pode causar efeitos negativos para o setor automotivo nacional, afetando não apenas a geração de empregos, mas também os fabricantes de autopeças e as exportações.
De acordo com o levantamento, a indústria de autopeças pode ter uma perda econômica de até R$ 103 bilhões, enquanto a arrecadação tributária cairia em torno de R$ 26 bilhões em um ano. Além disso, as exportações de veículos sofreriam uma queda de R$ 42 bilhões anuais, impactando negativamente a balança comercial do Brasil.
No processo CKD, o veículo chega ao Brasil completamente desmontado, sendo montado localmente com etapas como soldagem, pintura e integração de componentes. Já no modelo SKD, a montagem no país é mais simples, com veículos quase prontos sendo finalizados em grandes conjuntos.
Atualmente, a montadora chinesa BYD opera no Brasil principalmente pelo regime SKD em sua fábrica localizada em Camaçari, Bahia, inaugurada no ano passado.
Em 2023, o governo federal autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões com isenção do Imposto de Importação para veículos elétricos e híbridos desmontados, beneficiando a BYD e gerando críticas de fabricantes tradicionais como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, representadas pela Anfavea.
Com a data de validade da isenção se aproximando, a Anfavea intensificou os esforços para que o benefício não seja renovado, argumentando que incentivos para montar veículos em alto volume somente com montagem simples e sem contribuição local comprometem a indústria nacional e os empregos qualificados.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, afirma que o setor instalado no Brasil está preparado para competir com os modelos CKD e SKD, desde que a competição ocorra em condições justas e equilibradas. Segundo ele, a associação não teme a concorrência, mas pede regras iguais para todos os participantes do mercado.
Em manifesto oficial, a Anfavea reforça sua posição contrária à renovação da isenção para importação de kits voltados para produção em grande escala, destacando que esse modelo não contribui para o desenvolvimento da cadeia produtiva local, não gera empregos na mesma proporção e diminui o valor agregado ao país, comprometendo o setor no longo prazo.
Até o momento, a BYD não se pronunciou sobre o tema. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o sistema de cotas para importação de CKD e SKD termina em janeiro e que não há pedidos oficiais para renovação da medida.


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