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Argentina discute alterar proteção de geleiras para mineração

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Na quarta-feira (8), deputados na Argentina trataram de uma proposta do governo que visa permitir que as províncias revisem as zonas protegidas de geleiras, ampliando a atividade mineradora na região.

Ativistas da Greenpeace subiram de manhã cedo em um monumento protegido na praça em frente ao Congresso e exibiram um cartaz com os dizeres: “Deputados, não traem o povo argentino. Não mexam na lei que protege as geleiras”.

Depois da manifestação inesperada, ao menos sete membros da organização foram detidos pela polícia, informou a AFP, e os bombeiros retiraram o cartaz.

“Essa mudança pode ameaçar a segurança da água para milhões de pessoas”, alertou o Greenpeace Argentina.

O presidente Javier Milei defende que a modificação da “Lei das Geleiras” é necessária para atrair investimentos, e espera sua aprovação já nesta quarta-feira. O Senado já aprovou o projeto em fevereiro.

A iniciativa tem o respaldo dos governadores das províncias andinas como Mendoza, San Juan, Catamarca e Salta, locais que concentram jazidas de cobre, ouro e lítio, bem como grande parte das geleiras. Ambientalistas organizaram um protesto em frente ao Congresso.

Milei afirmou que a proposta busca eliminar “distorções ideológicas e barreiras artificiais”. Segundo ele, “os ambientalistas sabem que alguém passa fome ao impedir o desenvolvimento”.

Defensores da reforma dizem que a alteração vai clarificar critérios que são hoje pouco claros. Michael Meding, representante do projeto Los Azules, mencionou que o setor está comprometido com a preservação ambiental e que as províncias devem ser responsáveis por definir áreas que são fundamentais para a água.

Segundo dados do Banco Central argentino, o país pode triplicar suas exportações minerais até 2030.

O opositor Enrique Viale criticou a proposta, dizendo que ela favorece grandes mineradoras e põe em risco a água consumida por 70% da população. Ele alertou que a nova lei permitiria que as áreas protegidas fossem definidas arbitrariamente.

Representantes da ONU também advertiram que a medida poderia “colocar em perigo os ecossistemas aquáticos”.

A Argentina conta com mais de 16 mil geleiras, que, na região noroeste, reduziram seu tamanho em 17% na última década, segundo o Instituto Argentino de Nivologia e Glaciologia.

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