Mundo
Ataque planejado em pirâmide de Teotihuacán no México
O homem que assassinou uma canadense e feriu 13 turistas na véspera nas pirâmides de Teotihuacán, no México, organizou o ataque com antecedência, informaram as autoridades nesta terça-feira (21).
O incidente aconteceu poucas semanas antes da Copa do Mundo, que será sediada pelo México em parceria com os Estados Unidos e Canadá. Enquanto as autoridades continuam as investigações, a presidente Claudia Sheinbaum solicitou medidas de segurança mais rigorosas nas áreas turísticas.
O ataque, ocorrido na segunda-feira ao meio-dia, foi cometido por um mexicano que posteriormente tirou a própria vida. “Não foi um ato impulsivo”, declarou o procurador do Estado do México, José Luis Cervantes, em coletiva de imprensa ao lado de Sheinbaum.
O agressor visitou a zona arqueológica em várias ocasiões antes do ataque e se hospedou em hotéis próximos, preparando sua ação, conforme detalhou Cervantes.
Ele demonstrou um perfil psicopático, caracterizado pela tendência a imitar eventos violentos ocorridos em outros locais e momentos, segundo o procurador.
Na segunda-feira, o homem matou a canadense a tiros e depois se suicidou em uma das pirâmides depois da aproximação dos militares.
A vítima tinha entre 20 e 25 anos, enquanto o agressor, identificado como Julio César Jasso Ramírez, tinha 27 anos. Ambos sofreram ferimentos de bala na cabeça.
Entre os feridos, que foram levados para hospitais diversos, estão crianças e adultos de diferentes nacionalidades, incluindo um menino de seis anos, uma mulher colombiana, uma canadense, um brasileiro e dois americanos.
O embaixador dos Estados Unidos no México, Ronald Johnson, expressou preocupação e tristeza pelo ataque e declarou que Washington está disposto a ajudar no que for necessário.
Inspiração no massacre de Columbine
No local, foi encontrada uma mochila com uma pistola de fabricação americana usada pelo agressor, uma faca e 52 cartuchos de calibre .38 além de materiais como literatura, imagens e manuscritos relacionados a eventos violentos conhecidos, possivelmente vinculados ao massacre de Columbine, ocorrido em abril de 1999 nos Estados Unidos.
Durante o ataque, o agressor mencionou o massacre de Columbine e os sacrifícios humanos das civilizações pré-hispânicas ao ameaçar os turistas.
Testemunhas, como a visitante americana Jacqueline Gutiérrez, relataram que ele afirmou que aquele era um local para sacrifícios, não para tirar fotos, e referiu-se ao aniversário do massacre.
Medidas reforçadas e impacto econômico
Claudia Sheinbaum ressaltou que o caso não tem relação com o crime organizado e que não há outros fatores envolvidos no ataque.
Ela afirmou que é a primeira vez que ocorre um incidente desse tipo em um sítio arqueológico no México, solicitando aumento na segurança nesses locais turísticos.
O sítio arqueológico de Teotihuacán, localizado a aproximadamente 50 km da Cidade do México, é um dos mais visitados do país, com cerca de um milhão de turistas no primeiro semestre de 2025, ficando atrás apenas de Chichén Itzá, na península de Yucatán.
Para Juan Carlos Mejía, diretor-executivo da agência Estur, a iniciativa de reforço na segurança é positiva, porém insuficiente, já que atualmente não há revistas na entrada do local.
O incidente causou impacto econômico imediato, com o cancelamento de todas as viagens programadas para o dia seguinte ao ataque e desistência de clientes devido ao receio gerado.
O Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) anunciou que Teotihuacán será reaberto ao público na quarta-feira, agora com protocolos de segurança mais rigorosos.
A Cidade do México será palco do jogo de abertura da Copa do Mundo em 11 de junho.
O local normalmente lotado de turistas de diversas nacionalidades foi cenário de cenas dramáticas, com policiais, guardas nacionais e socorristas auxiliando os feridos nas escadarias íngremes da Pirâmide da Lua, a única que permite subida ao público.

Você precisa estar logado para postar um comentário Login