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Conheça Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela

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Delcy Eloína Rodríguez Gómez, de 56 anos, é formada em direito pela Universidade Central da Venezuela (UCV) e atualmente atua como presidente interina da Venezuela. Ela é uma figura central do chavismo e considerada uma colaboradora fiel do presidente afastado, Nicolás Maduro.

Nascida em Caracas, Delcy foi nomeada vice-presidente do país em 2018 por Maduro. Na Venezuela, o vice-presidente não é eleito junto com o presidente, mas sim indicado pelo chefe do Executivo, podendo ser substituído a qualquer momento.

Além de exercer o cargo de vice-presidente, Delcy também comandou o ministério da economia e presidiu a PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana. Ela assumiu a liderança da empresa em 2024 depois que parte da direção foi presa sob acusações de corrupção.

Delcy também possui uma pós-graduação em Direito Social pela Universidade de Paris e mestrado em Política Social pela Universidade de Birkbeck, em Londres.

Ela é irmã de Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e ex-vice-presidente do país, que também foi ministro das comunicações. Jorge Rodríguez é uma das principais figuras do chavismo, com uma carreira política consolidada durante a Revolução Bolivariana iniciada por Hugo Chávez em 1999.

A professora Carla Ferreira, do departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressalta que Delcy sempre esteve no núcleo duro do chavismo, sendo uma das líderes mais importantes do governo após Maduro.

“Ela tem uma trajetória sólida. É uma liderança política e teórica de alta competência, formada nas melhores universidades da Venezuela e da Europa”, afirmou a professora Carla Ferreira.

Além disso, Delcy e seu irmão vivenciaram os principais desafios enfrentados pela Venezuela nos últimos 25 anos, liderando a superação dessas dificuldades.

Origens e trajetória

Delcy Rodríguez nasceu em uma família profundamente envolvida com o socialismo revolucionário venezuelano. Seu pai, Jorge Antonio Rodríguez, foi um militante marxista que foi torturado e assassinado em 1976 pela polícia política da época.

Durante o regime de Punto Fijo (1958-1998), que garantiu estabilidade política em apoio aos EUA, não havia espaço institucional para a atuação da esquerda venezuelana. O pai de Delcy, membro da Liga Socialista, foi acusado de envolvimento em sequestro e sua morte causou grande repercussão na Venezuela.

“Ela carrega uma tradição revolucionária que influenciou profundamente sua formação ideológica e pessoal, permanecendo fiel a esses princípios até hoje”, explicou a professora Carla Ferreira.

Carreira política

No início do governo de Hugo Chávez, Delcy Rodríguez ocupou vários cargos, incluindo chefe de gabinete do presidente em 2006. Em 2013, voltou a ganhar destaque nacional como ministra da comunicação no governo de Maduro.

De 2014 a 2017, foi ministra das relações exteriores, liderando a saída do país da Organização dos Estados Americanos (OEA) e acusando o então secretário-geral da entidade de tentar desestabilizar o país.

Em 2017 e 2018, presidiu a Assembleia Nacional Constitucional, instituição criada em resposta a um conflito político entre o governo e a oposição, o que agravou o isolamento internacional e resultou em sanções econômicas que persistem.

Delcy assumiu a vice-presidência em 2018 e em 2024 passou a liderar o ministério da economia e o setor petrolífero da Venezuela. Ela é alvo de sanções dos Estados Unidos e da União Europeia.

Desafios e ameaças internacionais

Após assumir como líder interina, Delcy Rodríguez enfrentou ameaças do então presidente dos EUA, Donald Trump, que exigia controle sobre os recursos petrolíferos venezuelanos.

Trump afirmou que, caso Delcy não cooperasse, enfrentaria consequências ainda mais severas que as de Maduro. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Em resposta, Delcy afirmou que a Venezuela jamais voltará a ser uma colônia, reafirmando a soberania do país.

A professora Carla Ferreira considera que acusações de submissão aos EUA fazem parte de uma estratégia para enfraquecer o apoio interno ao chavismo.

Segundo Carla, Delcy tem consciência das limitações frente à superioridade militar dos EUA e sabe que, mesmo aberta para negociações, não cederá totalmente às exigências externas, mantendo a estabilidade do regime bolivariano.

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