Centro-Oeste
DF cria plano para agilizar busca de pessoas desaparecidas com meta de 100% de localização
O Governo do Distrito Federal lançou um novo plano para enfrentar o desaparecimento de pessoas. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) apresentou o Plano de Ação Integrado de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas, que reúne, pela primeira vez, um processo oficial entre várias instituições para ajudar na busca e apoiar as famílias.
O plano define claramente o que cada órgão deve fazer desde o registro da ocorrência até as ações de busca e atendimento às famílias. Essa iniciativa começou em 2023, com a criação da Rede Integrada de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas (Ridesap), coordenada pela Subsecretaria de Integração de Políticas Públicas de Segurança (Subisp).
Durante o lançamento, o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, disse que o plano é uma política permanente. “Estamos criando uma política de Estado. O desaparecimento precisa de uma resposta rápida, integrada e técnica. Vencemos obstáculos, alinhamos processos e unimos os órgãos envolvidos”, afirmou.
De acordo com ele, antes as instituições trabalhavam separadamente e com protocolos diferentes. “Agora, a partir do registro do desaparecimento, temos um sistema conectado, sem barreiras, com comunicação rápida e integração entre segurança, saúde, assistência social e outras áreas”, destacou.
Sandro Avelar ressaltou que o Distrito Federal tem uma das maiores taxas de localização do país, entre 98% e 99%. Em 2025, foram registrados 2.293 casos, dos quais 2.211 pessoas foram encontradas; 82 continuam desaparecidas, representando cerca de 96% de casos resolvidos até o momento.
“Enquanto houver pessoas desaparecidas no Distrito Federal, nosso compromisso é localizá-las rapidamente”, afirmou o secretário. Para ele, o plano também busca reduzir o tempo de busca e aumentar a taxa de localização ao máximo.
Fluxo rápido e uso de tecnologia
O secretário-executivo de Segurança Pública, Alexandre Patury, explicou que no DF não há necessidade de esperar 24 horas para registrar um desaparecimento. “Aqui não existe a regra das 24 horas. Assim que a Polícia Civil recebe o registro, várias ações são iniciadas: divulgação, mobilização das forças, acionamento da rede e uso de câmeras com reconhecimento facial”, disse.
Alexandre Patury afirmou que a preocupação com casos não resolvidos motivou a criação do plano. “Pensamos no que fazer por aquele 1%. O desaparecimento é uma tragédia. Por isso, o plano organiza a atuação das instituições como uma única rede, com uma prioridade clara: localizar a pessoa e dar uma resposta rápida e humana para as famílias.”
A tecnologia é fundamental na estratégia. O plano prevê integrar sistemas, fortalecer o Cadastro Distrital de Pessoas Desaparecidas e ampliar o compartilhamento de informações. O uso oficial de câmeras com reconhecimento facial entra no processo de busca.
Rede organizada e responsabilidades definidas
O plano foi elaborado após mais de um ano de reuniões, oficinas técnicas e ajustes. O diagnóstico inicial mostrou dificuldades na comunicação entre órgãos.
Participaram da criação do plano a Polícia Civil (PCDF), Polícia Militar (PMDF), Corpo de Bombeiros (CBMDF), Departamento de Trânsito (Detran-DF), Secretaria de Saúde (SES-DF), Instituto de Gestão Estratégica de Saúde (IgesDF), Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), Defensoria Pública (DPDF), Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Poder Judiciário, governo federal e sociedade civil.
Jasiel Fernandes, titular da Subisp, explicou que o plano é uma mudança sistêmica. “Passamos de atuações fragmentadas para governança integrada, com protocolos claros e comunicação ágil. Definimos responsabilidades internas e transversais, garantindo respostas rápidas e colocando a pessoa desaparecida e sua família no centro da atenção pública”, afirmou.
José Werick, delegado-geral da PCDF, destacou que a polícia atua com registro imediato, acolhimento sensível, coleta detalhada, rastreamento técnico e identificação genética. “Cada caso é tratado com cuidado, rapidez e técnica. O plano reforça essa abordagem ao integrar as instituições”, disse.
Polyanna Silvares, promotora de justiça do MPDFT, ressaltou o caráter colaborativo do plano. Segundo ela, a política foi construída sem necessidade de processos judiciais, com atuação proativa e coordenada. “O plano é um avanço importante para melhorar o atendimento às famílias e buscar o desaparecimento zero no Distrito Federal.”
Atenção humana e prevenção
O plano prioriza a atenção humana, com orientação clara às famílias no primeiro atendimento, comunicação transparente sobre os passos da busca, encaminhamento para apoio psicológico quando necessário e capacitação contínua dos profissionais. Também prevê campanhas educativas para prevenir desaparecimentos, divulgação de canais oficiais para registro imediato e parcerias com escolas e comunidades.


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