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Entenda o caso Marielle de forma simples

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O julgamento dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), de 38 anos, e do motorista Anderson Gomes, de 39, representa uma nova etapa em um dos crimes mais marcantes do Brasil recente.

O caso, que está prestes a completar oito anos, teve momentos de avanços e retrocessos, com denúncias de obstrução, operações policiais, acordos de delação e condenações. Agora, os acusados que planejaram e ordenaram os assassinatos serão julgados. Veja resumidamente o que é essencial saber sobre este caso.

Os cinco réus em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) são: Domingo Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, delegado e ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Ronald Paulo Alves Pereira, ex-major da Polícia Militar do Rio de Janeiro; e Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, ex-assessor parlamentar.

O crime

Na noite de 14 de março de 2018, por volta das 21h30, o carro em que Marielle estava foi atacado no centro do Rio de Janeiro. Ela havia participado de um debate e seguia para casa, acompanhada da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu, e do motorista Anderson Gomes, que faleceu no local.

O veículo foi alvo de disparos de uma submetralhadora. Marielle foi atingida por quatro tiros e Anderson por três. O crime chocou o país e o mundo, tornando-se um símbolo contra a violência política.

Investigação inicial e desvios

A investigação começou imediatamente, mas sofreu um revés dois meses depois, quando três delegados da Polícia Federal apresentaram uma testemunha falsa que atribuía o crime a milicianos rivais. A própria Polícia Federal comprovou que essa versão era falsa.

Prisões dos executores

Em março de 2019, após denúncia anônima, foram presos Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, acusados de executarem o crime — Lessa como atirador e Élcio como motorista do carro usado na emboscada. Foram encontrados fuzis na casa de um amigo de Lessa. Apesar dessas prisões, identificar os mandantes avançou lentamente.

Buscas frustradas e armas no mar

Quatro meses após o crime, relatos indicaram que armas foram lançadas ao mar perto das Ilhas Tijucas para ocultação. A Marinha tentou recuperar os equipamentos sem sucesso. A submetralhadora usada e o carro utilizado no ataque nunca foram recuperados.

Desenvolvimentos na justiça

Em 2020, o STJ rejeitou federalizar o caso, mantendo a responsabilidade estadual. Contudo, o processo inovou, autorizando a quebra de sigilo de buscas na internet, medida validada pelo STF pela gravidade do crime.

As delações que mudaram o rumo

Um erro do atirador Lessa revelou informações cruciais que permitiram rastrear pesquisas relacionadas a Marielle. Com isso, Élcio de Queiroz firmou delação detalhando o crime e a fuga, seguida pela colaboração de Lessa.

Nessas delações, foram apontados como mandantes os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, o major Ronald Paulo e Robson Calixto (“Peixe”). O pagamento por sua participação teria sido uma área para exploração de serviços ligados à milícia.

Prisões dos mandantes

Em março de 2024, em operação da Polícia Federal, foram presos os irmãos Brazão e Rivaldo Barbosa, além de Ronald Paulo e Robson Calixto. Como Chiquinho Brazão era deputado no momento das denúncias, o caso foi remetido ao STF e será julgado pela Primeira Turma do Tribunal.

Condenações dos executores

Em outubro de 2024, o Tribunal do Júri condenou Lessa a 78 anos e 9 meses e Élcio a 59 anos e 8 meses de prisão, sentença recebida com aplausos por familiares e amigos das vítimas.

Posicionamentos da acusação e da defesa

A acusação argumenta que o crime foi motivado por disputas políticas e fundiárias em Jacarepaguá, protegendo interesses ligados à grilagem de terras. As defesas negam e afirmam que a acusação baseia-se principalmente nas delações de Lessa, contestando contradições nos relatos.

Com o encerramento das alegações finais, o caso entra em decisão crucial, aguardada por familiares e pela sociedade, que desde 2018 acompanha a busca por justiça e combate à impunidade.

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