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Ex-presidiário ensina crianças da periferia do df a andar de skate e fugir do crime

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Robson Diego de Menezes Oliveira dedica seu tempo para ensinar skate a crianças nas ruas de Taguatinga, no Distrito Federal, com o objetivo de afastá-las do mundo do crime. Com apenas três skates para usar, ele lidera um grupo que cresce a cada dia, ensinando não só a andar de skate, mas também a importância do respeito, solidariedade e disciplina.

Robson, que passou por momentos difíceis e esteve preso, criou o projeto Brasil Skate School em 2019. Ele trabalha durante o dia e no final da tarde oferece aulas de skate para crianças e adolescentes sem nenhum apoio financeiro do governo ou patrocinadores.

O projeto nasceu do desejo de ajudar crianças que vivem em áreas vulneráveis, onde o crime é uma tentação para muitos jovens. Sua experiência de vida faz com que ele seja mais que um instrutor: um exemplo de superação e esperança.

História de superação

Criado em Brasília, em um bairro com alto índice de criminalidade, Robson teve uma infância difícil, com a mãe ausente e contato precoce com drogas e violência. A entrada no skate trouxe a ele uma nova chance, uma vida diferente que o afastou das drogas.

Apesar das dificuldades financeiras, o jovem enfrentou momentos em que voltou ao crime para tentar sustentar seu novo estilo de vida ligado ao skate. Em 2008, entrou formalmente no mundo do tráfico e foi preso algumas vezes, até ser encarcerado no presídio da Papuda em 2016.

No sistema prisional, Robson encontrou na leitura e em grupos religiosos uma oportunidade de mudança. Saiu do presídio decidido a transformar sua vida e ajudar outros jovens a não seguirem seu mesmo caminho.

O projeto e seus desafios

Depois de ser libertado em 2018, Robson assumiu o comando do projeto “Pro Radical Skate” e começou a ensinar skate gratuitamente para crianças do Recanto das Emas e Taguatinga. Mesmo sem financiamento público, ele continuou com a ajuda de amigos e doações de lojas especializadas.

Em pouco tempo, o grupo cresceu de seis para cinquenta participantes, incluindo alunos e instrutores voluntários. A paixão de Robson pelo skate e sua dedicação fizeram o projeto resistir até mesmo durante a pandemia, quando muitos desistiram.

No entanto, a falta de recursos e apoio continuou sendo um problema. O amigo e apoiador, Hugo, destaca que o projeto precisa de patrocínio para crescer e manter os jovens engajados.

Continuidade e esperança

Após enfrentar uma recaída e nova prisão em 2022, Robson foi solto em 2023 e retornou ao projeto em 2024. Ele agora possui uma casa em Taguatinga e segue firme em sua missão de ajudar crianças e jovens, acreditando que a prática do skate ensina valores importantes como paciência, equilíbrio e persistência.

Robson sabe que a falta de estrutura formal limita o projeto, mas confia na solidariedade e no desejo forte de continuar levando a cultura do skate a quem mais precisa. Para ele, ajudar outras pessoas é uma forma de manter viva a esperança e mostrar que é possível recomeçar, mesmo diante das maiores dificuldades.

“O skate me salvou e hoje eu uso ele para salvar outras vidas”, afirma Robson.

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