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Israel estabelece linha amarela no sul do Líbano; entenda o que isso significa
Israel declarou a implementação de uma “linha amarela” na região sul do Líbano, próxima à fronteira, onde suas tropas continuam atuando mesmo após um cessar-fogo de dez dias acordado com o grupo pró-iraniano Hezbollah.
A “linha amarela” refere-se a uma demarcação militar que lembra a divisória israelense na Faixa de Gaza e impacta diretamente o território libanês.
Qual foi o anúncio feito por Israel?
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou ter aceitado a trégua, válida desde sexta-feira, mas ressaltou a manutenção de uma “zona de segurança” de 10 quilômetros a partir da fronteira com o Líbano.
No sábado, o Exército israelense anunciou a criação da “linha amarela” no sul do país e no dia seguinte apresentou um mapa destacando uma “linha de defesa avançada” que se estende do Mediterrâneo até a fronteira com a Síria.
Grande parte da população deixou a área, que inclui vilarejos muito danificados por conflitos recentes, embora alguns moradores cristãos tenham desobedecido as ordens de evacuação. As Nações Unidas mantêm forças de paz na região.
Desde o início do cessar-fogo, o Exército israelense vem destruindo construções na fronteira e alertou os civis libaneses para não retornarem a várias localidades ao sul da linha amarela, citando atividades do Hezbollah que violam o acordo de cessar-fogo.
Historicamente, Israel tentou estabelecer uma zona tampão no sul do Líbano, mas após pressão do Hezbollah em 2000, as tropas israelenses se retiraram após quase vinte anos de ocupação.
Comparação com Gaza
Em Gaza, a “linha amarela” é uma divisão militar israelense criada durante o cessar-fogo de outubro de 2025 com o grupo Hamas, dividindo a área entre controle militar direto e uma zona governada pelo Hamas, embora ainda vulnerável a ataques.
O Exército israelense frequentemente relata ataques contra supostos combatentes próximos à linha, prática que agora se repete no Líbano.
O especialista militar libanês Hassan Jouni afirmou que a linha amarela no Líbano é uma inspiração direta da linha de Gaza, mas enquanto a Faixa resultou de um acordo com o Hamas, no Líbano essa linha foi imposta unilateralmente por Israel, configurando uma postura agressiva.
Essa linha criaria uma nova fronteira para a segurança israelense, protegendo cidades do norte de Israel e podendo servir como base para futuras operações ofensivas, onde qualquer atividade na área seria considerada suspeita e justificaria disparos.
Qual é a posição do Líbano?
O presidente libanês, Joseph Aoun, declarou que as negociações diretas com Israel visam encerrar as hostilidades e a ocupação israelense no sul do país.
Apesar do cessar-fogo não exigir retirada israelense, Israel mantém o direito de atacar o Hezbollah para impedir ataques planejados ou em curso.
O Hezbollah rejeita as negociações previstas e exige a retirada completa das tropas israelenses.
O deputado Hassan Fadlallah, do Hezbollah, declarou à AFP que o grupo “lutará para romper a linha amarela através da resistência”, e que nenhuma dessas demarcações será aceita.
Hassan Jouni prevê que a linha amarela será um foco de tensões e espera uma solução que combine esforços políticos e estratégias no terreno, influenciadas pela dinâmica regional entre Irã e Estados Unidos.
Ele sugeriu que o presidente dos EUA, Donald Trump, poderia surpreender ao pressionar Israel a retirar-se do Líbano.

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