Economia
Juros sobem com aumento das tensões entre EUA e Europa
Os juros futuros negociados na B3 subiram desde a abertura dos negócios nesta terça-feira (20), impulsionados por um aumento na aversão ao risco que dominou os mercados globais, levando a uma maior inclinação na curva a termo.
A alta teve uma leve pausa no início da tarde, quando o dólar caiu em relação ao real, mas logo os juros retomaram a subida, com ganhos entre 4 e 10 pontos-base nas diferentes parcelas da curva.
Sem indicadores econômicos locais, o aumento das tensões geopolíticas e comerciais entre a Europa e os Estados Unidos, devido à disputa pela Groenlândia, foi o principal fator para o aumento dos juros. Os títulos públicos brasileiros seguiram, embora com menor intensidade, a tendência dos Treasuries americanos, pressionados pela maior demanda por ativos seguros. Também teve impacto o Japão, onde os rendimentos dos títulos soberanos longos alcançaram níveis recordes por preocupações fiscais.
No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2027 subiu para 13,81%, a de 2029 avançou para 13,28%, e a de 2031 aumentou para 13,61%.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou ameaças tarifárias contra a União Europeia caso o bloco resista à sua intenção de anexar a Groenlândia, territótio atualmente pertencente à Dinamarca, deixando claro que não pretende recuar.
Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do banco Pine, destaca que o Ártico passou de uma região de cooperação para uma área de rivalidades estratégicas entre Estados Unidos, Rússia e China, com a Europa em posição secundária. Ele lembra que o interesse militar americano na ilha existe desde o pós-guerra, mas que qualquer tentativa de aquisição sem o consentimento da população local é inviável juridicamente.
Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, o aumento das tensões geopolíticas gerou alta nos juros dos Treasuries, impactando os DIs locais. Ele comenta que o mercado global de renda fixa é mais profundo e sensível a mudanças de percepção, causando movimentos mais intensos.
Por volta das 18h, o retorno dos títulos americanos era de 3,597% para 2 anos, 4,292% para 10 anos, e 4,917% para 30 anos. Em uma semana sem indicadores econômicos localmente e com expectativa de manutenção da taxa Selic na próxima decisão do Copom, o cenário externo foi o principal fator para a piora no mercado de renda fixa brasileiro.

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