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Lula propõe grupo conjunto com América Latina e mundo para combater crime

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O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quinta-feira, 7, que sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a formação de um grupo de trabalho reunindo todos os países da América Latina e, possivelmente, nações ao redor do mundo, com o objetivo de enfrentar o crime organizado.

“Eu comuniquei a ele nossa disposição para formar um grupo de trabalho envolvendo os países latino-americanos e, quem sabe, de todo o planeta, para criar uma frente sólida contra o crime organizado”, declarou em entrevista após o encontro em Washington.

Lula questionou a abordagem militar dos Estados Unidos no combate ao crime e defendeu soluções econômicas alternativas. “Como esperar que um país abandone a produção de coca sem oferecermos uma atividade econômica viável para o produtor?”, apontou.

O presidente brasileiro ressaltou ainda que parte das armas que chegam ao Brasil têm origem nos Estados Unidos. “É crucial reconhecer que há lavagem de dinheiro ocorrendo em estados americanos. Se colocarmos as verdades sobre a mesa e colaborarmos através de um grupo de trabalho, poderemos resolver em décadas o que não foi solucionado em séculos”, explicou.

Na mesma linha, Lula destacou a importância do multilateralismo, contrapondo-o ao unilateralismo nas políticas tarifárias apontado em seu encontro com Trump. “Nenhum país pode enfrentar sozinho o crime organizado; essa é uma causa que exige cooperação internacional. O Brasil possui grande experiência e uma Polícia Federal de excelência”, afirmou.

Parcerias em mineração

Lula também abordou o tema da mineração de minerais críticos, esclarecendo que o Brasil não tem preferência por parceiros específicos, mencionando países como China e Estados Unidos, que disputam pela exploração desses recursos.

“Nosso objetivo é estabelecer parcerias para avançar na mineração, no processamento e na geração de riqueza a partir desses minerais raros, com participação aberta a empresas de diversas nacionalidades”, declarou.

Ele destacou que o Brasil considera a mineração desses minerais uma questão de soberania nacional, celebrando a recente aprovação de um projeto que regula o setor.

Diálogo sobre tarifas

O presidente brasileiro disse ter discutido as taxas adicionais que os EUA impõem aos produtos brasileiros. Segundo Lula, Trump insistiu na existência de produtos americanos com tarifas superiores no Brasil.

“Trump acredita que cobramos impostos elevados, mas expliquei que a média para produtos americanos no Brasil é de apenas 2,7%”, afirmou. “Ele, porém, manteve a posição de que certos produtos norte-americanos enfrentam tarifas de até 12% no país”, complementou.

Acordos comerciais e futuras reuniões

Lula mencionou ter sugerido a organização de uma reunião entre os setores comerciais dos dois países em um mês, e que o Brasil estaria aberto a conceder concessões caso se confirme a existência de sobretaxas brasileiras. Ele defendeu a criação de um “plano de metas” para esses encontros, reforçando que as partes que estiverem erradas deverão fazer concessões.

Entre sorrisos e Copa do Mundo

O presidente brasileiro relatou ter pedido a Trump para sorrir mais e brincou ao solicitar que os vistos dos jogadores brasileiros para a seleção masculina de futebol não fossem cancelados antes da Copa do Mundo, que terá os Estados Unidos como uma das sedes.

“Pedi para que ele não anule os vistos dos jogadores, pois pretendemos vencer a Copa do Mundo. Ele riu da minha lembrança”, contou Lula.

Detalhes do encontro

A reunião entre Lula e Trump ocorreu na Casa Branca, iniciando às 12h40 (11h40 hora de Washington D.C.) e durando cerca de três horas. Foi o primeiro encontro dos dois líderes na sede do governo americano.

Lula esteve acompanhado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública). A equipe de Trump incluiu o vice-presidente J.D Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles, o representante comercial Jamieson Greer, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o secretário do Tesouro Scott Bessent.

Histórico das relações bilaterais

Os líderes já se encontraram anteriormente na Assembleia Geral da ONU, em setembro do ano passado, e em uma cúpula da ASEAN, em outubro de 2025.

Desde o início do mandato de Trump, em janeiro, as relações entre Brasil e Estados Unidos foram tensas, incluindo imposição de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros, sanções via Lei Magnitsky, e investigações sobre práticas comerciais do Brasil.

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