Brasil
MP investiga grupo suspeito de fraude bilionária no espólio de fundador da Unip/Objetivo
O Ministério Público de São Paulo iniciou nesta terça-feira, 31, uma operação contra um grupo suspeito de tentar aplicar um golpe de R$ 845 milhões contra o espólio do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo Unip/Objetivo, que faleceu em fevereiro de 2022.
A ação está sendo conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em parceria com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil.
São cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, além de medidas para sequestrar e bloquear bens e ativos financeiros.
Segundo o Ministério Público, o grupo teria tentado obter vantagem ilícita de centenas de milhões por meio da criação de contratos falsificados, usados posteriormente para embasar processos judiciais e procedimentos arbitrais fraudulentos, com o objetivo de enganar vítimas e o próprio Judiciário.
A investigação revela que o grupo agia de forma organizada, com divisão de tarefas para simular a legalidade das cobranças. Parte dos investigados operava através da empresa Colonizadora Planalto Paulista Ltda., enquanto outro núcleo atuava pela empresa Fonamsp, que se apresentava como entidade de mediação e arbitragem, dando suporte formal às alegadas dívidas. Ambas as empresas foram procuradas, mas não se manifestaram.
O Ministério Público esclareceu que os documentos e contratos falsos eram usados para fundamentar cobranças judiciais e extrajudiciais contra o espólio de João Carlos Di Genio. O objetivo era enganar o juízo responsável pelo inventário para viabilizar os pagamentos vultosos.
A apuração indica que Anani Candido de Lara, Luiz Teixeira da Silva Junior e Rubens Maurício Bolorino lideravam as negociações pela Colonizadora Planalto Paulista Ltda.
Já Wagner Rossi Silva, Patricia Alejandra Ormart Barreto, Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira, Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat, Carlos Xavier Lopes e Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura integravam o grupo associado à Fonamsp, responsável pelos procedimentos arbitrais e cobranças, todos alvos de prisão preventiva.
O Estado procura contato com as defesas dos investigados.
A investigação afirma que há uma associação estável com o propósito de obter ganhos econômicos por meio de crimes como estelionato, fraude processual e corrupção, conforme assinam os promotores Juliano Carvalho Atoji, Carlos Bruno Gaya da Costa, Danilo Orlando Pugliesi, Eduardo Roos Neto e Luiz Bugiga Rebellato.
Ao autorizar as diligências, o juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, da 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens da Capital, destacou que os principais envolvidos possuem histórico consistente de práticas ilícitas, especialmente falsificação de documentos e assinaturas, demonstrando um padrão de fraude e manipulação documental para obter vantagens ilegais.
História inventada
A promotoria relata que o grupo criou uma narrativa falsa para justificar a cobrança milionária contra o espólio de Di Genio.
Em agosto de 2024, Anani Candido de Lara e Luiz Teixeira da Silva Junior enviaram, em nome da Colonizadora Planalto Paulista Ltda., uma notificação extrajudicial à inventariante da herança, acompanhada de documentos que simulavam uma dívida milionária.
De acordo com o Ministério Público, foram falsificados contratos, aditivos e termos de posse datados de novembro de 2021, para simular uma negociação imobiliária envolvendo 448 imóveis em Piraju, interior de São Paulo. Laudos técnicos apontaram que as assinaturas atribuídas a João Carlos Di Genio e seu procurador foram falsificadas por meio de decalque e montagem.
Funções no esquema
A promotoria aponta Anani Candido de Lara como o principal responsável pela elaboração dos documentos, envio das notificações e estruturação da cadeia contratual fraudulenta.
Luiz Teixeira da Silva Junior, maior acionista da empresa, teria assumido as obrigações financeiras e societárias para dar um aspecto legal à negociação simulada e entrou com ação judicial para cobrar os valores.
Outros suspeitos ajudaram a dar aparência legal ao esquema. Rubens Maurício Bolorino atuou como testemunha em contratos e no procedimento arbitral. Wagner Rossi Silva cuidava da logística e do manuseio de documentos, realizando diligências em cartórios e órgãos.
Patricia Alejandra Ormart Barreto simulava notificações e produzia documentos sem o conhecimento do espólio, enquanto Jorge Alberto Rodrigues de Oliveira fazia a intermediação entre o grupo e representantes do espólio para fortalecer a narrativa de uma negociação legítima.
Camila Mariana Alejandra Piaggio Nogueira Ormat cuidava da formalização dos contratos e documentos usados na arbitragem. Carlos Xavier Lopes integrava o núcleo financeiro, responsável pelas operações relativas aos valores cobrados. Aline Cordeiro de Oliveira Boaventura atuou como “juíza arbitral” em uma sentença simulada que não garantiu o contraditório ao espólio, ajudando a dar uma aparência legal à cobrança.


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