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Trump promove evento para celebrar mês da história negra nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou uma recepção na Casa Branca para marcar o Mês da História Negra, celebrado em fevereiro no país. O evento aconteceu pouco menos de duas semanas depois que ele causou indignação ao publicar um vídeo considerado racista nas redes sociais, envolvendo o ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle Obama.
Donald Trump não abordou o vídeo, que foi apagado após uma forte repercussão pública, e não pediu desculpas. Tampouco mencionou Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, mas destacou outras figuras afro-americanas importantes na história. “Celebramos o Mês da História Negra e homenageamos aqueles que vieram antes, continuando seu legado”, afirmou.
Durante o evento, ele elogiou afro-americanos conhecidos entre seus apoiadores, como o boxeador Mike Tyson, que o defendeu contra acusações de racismo, e a rapper Nicki Minaj, destacando sua beleza ao comentar sobre suas unhas.
Donald Trump chamou ao palco vários membros de sua administração, incluindo o secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Scott Turner, e a responsável por indultos na Casa Branca, Alice Marie Johnson. Esta última afirmou: “Ao olhar para esta multidão de afro-americanos, este presidente os escuta e se importa. Não deixem ninguém dizer que Donald Trump não apoia a América negra. Porque ele apoia.”
O presidente destacou medidas que, segundo ele, beneficiaram os afro-americanos, como a lei que eliminou o imposto federal sobre gorjetas e o envio de tropas da Guarda Nacional para garantir a segurança em cidades com grande população negra, como Washington, Nova Orleans e Memphis.
O evento aconteceu um dia após Donald Trump afirmar nas redes sociais que tem sido falsamente acusado de racismo por adversários políticos, em uma mensagem em homenagem ao reverendo Jesse Jackson, falecido recentemente.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, ressaltou que o presidente fez muito por todos os americanos, independentemente de raça, e que as acusações de racismo são infundadas.
Donald Trump reconhece o Mês da História Negra desde seu primeiro mandato, apesar de suas políticas e declarações muitas vezes contrariaram o reconhecimento da diversidade e das contribuições afro-americanas.
Ele tem criticado programas de diversidade, equidade e inclusão, que ajudaram afro-americanos a conseguir empregos no setor público e privado, chamando esses programas de discriminatórios e buscando eliminá-los do governo e do setor privado.
Por outro lado, se apresenta como defensor das universidades historicamente negras (HBCUs). O governo Trump destinou US$ 500 milhões a essas instituições, recurso que veio majoritariamente da transferência de fundos federais anteriormente destinados a programas para estudantes hispânicos e outros grupos minoritários, considerados pelo governo como inconstitucionais.
No segundo mandato, Donald Trump criticou aulas sobre a história afro-americana, alegando que algumas visam doutrinar as pessoas contra o país. Ele assinou uma ordem executiva para “restaurar a verdade e a sanidade na história americana”, que resultou na remoção de informações consideradas desfavoráveis a americanos do passado ou presente, inclusive na história negra, dos parques nacionais.
Apesar de reconhecer o Mês da História Negra em proclamações oficiais, o Departamento de Defesa anunciou a suspensão do uso de recursos oficiais para marcar meses de conscientização cultural.
A recepção deste ano segue uma ordem executiva que encerrou programas federais de diversidade, equidade e inclusão, demonstrando a postura contraditória do governo em relação às celebrações e políticas voltadas à comunidade afro-americana.


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