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Alcolumbre e Lula reatam diálogo político
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), começaram a mostrar sinais de uma aproximação política após um período difícil nos últimos meses, que foi marcado por desentendimentos entre o Palácio do Planalto e o Senado.
Além da retomada das conversas e da presença conjunta em eventos públicos, a melhoria na relação ficou clara com o avanço de temas importantes para o governo na Casa Legislativa.
Um dos principais pontos de conflito era a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), cuja sabatina está marcada para o dia 28 próximo.
Agora, os articuladores políticos do presidente buscam organizar um encontro entre Lula, Alcolumbre e outros senadores antes da votação decisiva.
Recentemente, um gesto positivo na reconciliação foi a aprovação rápida pelo Senado do nome do deputado Odair Cunha (PT-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU), ocorrida um dia após a Câmara ter aprovado sua indicação.
Essa colaboração renovada entre Lula e Alcolumbre também responde a interesses eleitorais. O senador, ainda cumprindo seu mandato de oito anos, está empenhado em ajudar na reeleição do aliado Clécio Luís (União) para governar o Amapá.
Para isso, conta com o apoio do governo federal. O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), é um dos integrantes da base que sustenta a chapa de Alcolumbre.
Como sinal de sintonia com a gestão de Lula, Alcolumbre esteve presente, em 23 de março, na inauguração de um equipamento da Universidade Federal do Amapá, ao lado do senador Camilo Santana (PT-CE), então ministro da Educação. O ponto culminante desta melhora no relacionamento foi na última terça-feira, quando Alcolumbre participou da cerimônia de posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Na ocasião, elogiou o diálogo entre o Congresso e o governo.
— E isso, meu querido presidente Lula, demonstra que somente por meio do diálogo, da política construtiva e da colaboração podemos transformar a vida das pessoas. Não precisamos concordar em tudo, ideologicamente ou partidariamente, mas o Parlamento construiu o que era possível e prioritário para o país — afirmou o presidente do Senado.
Ausência em cerimônias importantes marcou o passado recente do senador, que não compareceu à sanção da lei que ampliou a isenção do Imposto de Renda (IR), em novembro do ano anterior, nem na cerimônia de sanção do novo Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital), em março, evento que contou com a presença do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O fim das tensões aconteceu de maneira gradual. Lula e Alcolumbre se reuniram em dezembro, ainda em meio à crise causada pela indicação de Messias. No final do mês passado, ambos conversaram novamente, quando o presidente comunicou que enviaria a mensagem oficializando a escolha para o Supremo.
A indicação gerou discordância por parte de Alcolumbre e foi um motivo central para o agravamento da relação entre o Senado e o governo. O senador preferia que Rodrigo Pacheco (PSB-MG), também ex-presidente do Senado, fosse indicado para o Supremo e chegou a sugerir a votação rápida da escolha de Messias assim que anunciada, o que poderia resultar em derrota para o governo.
Em um novo passo de alinhamento, Alcolumbre e o governo trabalharam juntos para enfraquecer a CPI do INSS, no Congresso, e a CPI do Crime Organizado, no Senado. Enquanto a investigação sobre fraudes envolvendo beneficiários do INSS avançava em direção a Fábio Luísa Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente, a outra CPI visava ministros do Supremo Tribunal Federal.

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