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Líderes de esquerda se encontram em Barcelona para defender a democracia

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O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, declarou neste sábado (17) que é essencial trabalhar para “proteger e reforçar” a democracia durante uma reunião de líderes internacionais de esquerda em Barcelona. A presença da presidente Claudia Sheinbaum destacou a melhora nas relações entre Espanha e México.

“A situação está clara, a democracia não pode ser vista como algo garantido. Observamos ataques ao sistema multilateral, tentativas contínuas de desafiar as regras do Direito Internacional e uma preocupante normalização do uso da força”, afirmou Sánchez em seu discurso de abertura na IV Reunião em Defesa da Democracia.

Na presença de líderes internacionais como o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o sul-africano Cyril Ramaphosa e o colombiano Gustavo Petro, o espanhol ressaltou o compromisso dos participantes em “fazer tudo que for preciso para proteger e fortalecer o sistema democrático”.

Esta quarta edição do fórum, promovida em 2024 por Brasil e Espanha, ocorre simultaneamente a um encontro de líderes e simpatizantes da extrema direita europeia em Milão.

“Não basta apenas resistir, é necessário propor”, acrescentou Sánchez, que também defendeu que a ONU deve “ser renovada, reformada” e “liderada por uma mulher”.

Entre as presenças mais esperadas estava a da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que realiza sua primeira visita ao continente europeu desde que assumiu o cargo em outubro de 2024.

A presença dela representa um avanço nas relações entre os dois países, que passaram por tensões recentes devido a exigências mexicanas de desculpas pela conquista espanhola das Américas.

Após esses desentendimentos diplomáticos, ambos os governos adotaram sinais de aproximação nos últimos meses. O rei Felipe VI da Espanha reconheceu em março que houve abusos durante a conquista.

“Não há uma crise diplomática, nunca existiu. O importante é reconhecer a força dos povos originários para a nossa nação”, afirmou Sheinbaum antes do encontro.

Durante o evento, a presidente mexicana defendeu seu país, referindo-se às ligações históricas com a Espanha.

“Venho de um povo que honra suas raízes nas grandes culturas originárias, aquelas que foram silenciadas, escravizadas e saqueadas, mas nunca derrotadas, pois há memórias que jamais são conquistadas e raízes que nunca são arrancadas”, disse Sheinbaum.

Ela também anunciou que o México sediará a próxima Reunião em Defesa da Democracia e recomendou que a atual edição adote “uma declaração contra a intervenção militar em Cuba”.

Este encontro, promovido por líderes com posições frequentemente contrárias às políticas do ex-presidente americano Donald Trump, não quer ser visto como uma reunião anti-Trump, conforme declarado pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro.

“É um cume por uma alternativa no mundo, a favor, não contra. Trata-se de uma espécie de farol que, em meio à confusão e desordem global perigosa para toda a humanidade, traça um caminho, o caminho da vida, não o da morte”, declarou Petro.

O encontro também coincide com o fórum ‘Global Progressive Mobilisation’ (GPM), uma reunião paralela de forças de esquerda, sindicatos e intelectuais em Barcelona.

Na sessão final, prevista para este sábado, discursarão, entre outros, Sánchez – também presidente da Internacional Socialista – e Lula.

Com essas reuniões, o chefe do Governo espanhol reforça sua oposição a Trump, com quem discordou sobre gastos militares e a guerra no Irã, e ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, alvo de críticas severas tanto pelo conflito em Gaza quanto no Líbano.

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