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“Difícil encontrar uma OS da saúde que não seja organização criminosa”, afirma procurador
Audiência de custódia manteve presos médicos e empresários investigados por desvios na saúde de Goiás
“Esse é mais um caso em que médicos se estruturam através de empresas para realizar o saque do dinheiro público”, afirmou o procurador da República Mário Lucio Avelar, na audiência de custódia que manteve a prisão preventiva de Hilton Piccelli, Rudson Teodoro, Otávio Favoretto e Roberto Leandro Carvalho, investigados nas operações Rio Vermelho e Makot Mitzrayim, deflagradas pela Polícia Federal nesta semana, em Goiás e outros estados.
Durante a audiência, cujas imagens foram obtidas com exclusividade pelo
, o representante do Ministério Público afirmou ser muito difícil encontrar uma Organização Social da saúde que não seja uma organização criminosa, e completou: “Antigamente, se dizia que ter uma indústria de petróleo era o melhor negócio do mundo. Agora eu digo que ter uma OS é o melhor negócio, dada a quantidade de irregularidades.”
A operação da PF investiga supostas fraudes e o desvio de cerca de R$ 38 milhões em contratos de gestão de saúde pública do Estado e de Municípios de Goiás, em instituições como HMAP, CRER, HUGOL, HDS e Hospital de Campanha de Goiânia, entre os anos 2020 e 2021, período da pandemia de Covid-19.
Corrupção ativa e passiva, peculato, desvio, serviços fantasmas, lavagem de dinheiro e irregularidades em licitações são alguns dos crimes investigados pelas operações, que realizaram busca, apreensão e prisão preventiva contra 31 alvos, incluindo médicos, empresários, empresas e servidores públicos. Entre as empresas investigadas estão a Mediall Brasil, ligada a Hilton, Roberto e Rudson, e a Lifecare, ligada a Otávio Favoretto.
Rede sofisticada
Um dos principais alvos da operação é o médico e empresário Sérgio Daher, fundador da Organização Social Agir, supostamente um dos líderes da sofisticada rede de desvios milionários que envolve, de acordo com as investigações, cerca de 19 empresas de fachada para ocultação e lavagem de dinheiro, em contratos de quarteirização e até quinterização da gestão de recursos da saúde.
As investigações apontam que grande parte dessas empresas de fachada têm alguma ligação com Sérgio Daher, seus familiares, à Mediall ou à OS Agir. Os filhos de Sérgio, Ricardo Tavares Daher e Renato Tavares Daher, sócios da RTD Soluções em Imagens, também são investigados por suspeita de envolvimento no esquema.
O processo, que investiga o que pode ser um dos maiores escândalos da saúde pública do Brasil, tramita sob sigilo na 11ª Vara Federal da Seção Judiciária de Goiás.

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