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Novo Dia, Nova Esperança

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Em 2026, Brasília celebra 66 anos com mais motivos do que só sua criação. Quarenta anos atrás, pela primeira vez, moradores da cidade e regiões próximas puderam votar para escolher seus representantes. Desde sua inauguração em 1960, Brasília participou discretamente da eleição presidencial daquele ano, sem autonomia política plena. Por 26 anos, a cidade apenas recebia autoridades de outras regiões e esperava o momento de conquistar sua independência política. Em 1986, isso mudou com a eleição que marcou um avanço na representação do Distrito Federal.

O país vivia ainda a transição de um regime ditatorial iniciado em 1964, que só terminou em 1985. Com a posse do vice-presidente José Sarney, houve uma transformação gradual. O sistema político mudou, dando espaço para vários partidos, antes proibidos ou fragmentados, disputarem as eleições. Nas eleições de 1982, 49 milhões de pessoas elegeram vários governadores de oposição, incluindo nomes como Tancredo Neves e Leonel Brizola. Isso abriu caminho para leis que afastaram os resquícios da ditadura.

Uma dessas leis, a Emenda Constitucional número 26 de 1985, garantiu eleições para deputados e constituintes em 1986, ano em que Brasília teve a chance de eleger oito representantes para a Câmara e três para o Senado.

Campanhas e Votos

Antes disso, moradores do Distrito Federal votavam em outras unidades da Federação, conforme suas origens. Militantes do Partido Comunista Brasileiro, ainda ilegal na época, orientavam eleitores a votarem em candidatos indicados pelo partido em suas cidades de origem.

Apesar das dificuldades, os anos 1980 foram marcados por crises econômicas no Brasil, com inflação alta e recessão, afetando a vida das pessoas, inclusive em Brasília. O governo de Sarney lançou vários planos econômicos durante seu mandato, mesmo enquanto a cidade vivia seu primeiro grande processo eleitoral.

A Primeira Eleição Real

Em 1986, Brasília, com cerca de 1,6 milhão de habitantes, participou de sua primeira campanha eleitoral em que os cidadãos votaram diretamente. Foram 69 candidatos para o Senado e 172 para a Câmara, disputando as vagas disponíveis.

A população estava animada e esperançosa, mesmo diante da crise. As ruas se encheram de manifestações de apoio, caminhadas e materiais de campanha como santinhos, adesivos e camisetas. A cidade passou por uma grande mobilização para garantir um trânsito democrático e ativo.

Lideranças e Campanhas

Diversos candidatos, como Valmir Campelo Bezerra, Maria de Lourdes Abadia e Augusto Carvalho, se destacaram pela proximidade com a população e o contato direto nas regiões administrativas. Campelo, por exemplo, utilizava reuniões pequenas para conversar com eleitores. Abadia, que foi a primeira mulher a administrar uma cidade-satélite (Ceilândia), focou sua campanha mostrando seu trabalho social na região.

Maria de Lourdes Abadia é homenageada pelo nome do estádio Abadião, o primeiro estádio do mundo com nome feminino, localizado em Ceilândia.

Augusto Carvalho, ligado ao Partido Comunista Brasileiro, também realizou campanhas de contato direto, enfrentando preconceitos causados pelo histórico do partido durante a ditadura.

Uma Nova Era

Essa eleição foi um marco para Brasília, trazendo voz real para a cidade no cenário político nacional e abriu caminho para maior autonomia política que seria consolidada em 1988 com a Constituição Cidadã.

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