Centro-Oeste
Conselho Tutelar investiga adultos em lutas clandestinas no Lago Sul
O Conselho Tutelar do Distrito Federal está investigando se adultos estão envolvidos ou apoiando lutas clandestinas entre adolescentes no Lago Sul, conhecidas como “Clube da Luta”. A conselheira tutelar de Brasília I – Asa Sul, Natty Vieira, afirma que o caso está sendo acompanhado e que podem ser aplicadas medidas de proteção previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Ela ressalta que proteger crianças e adolescentes é uma responsabilidade de todos e que promover uma cultura de paz é fundamental para evitar a violência.
As investigações ainda não têm registro oficial. A Polícia Civil do Distrito Federal informou que não há ocorrência formal até o momento. Mesmo assim, policiais da 10ª Delegacia estiveram no local após denúncias. Segundo apurado, jovens entre 15 e 19 anos se reuniram no dia 18 de abril para participar de lutas que foram combinadas pelas redes sociais, com cobrança de entrada para lutadores e espectadores.
Uma moradora da região, que não quis se identificar, contou ter visto a ação policial. Cerca de dez adolescentes tentaram se esconder ao perceber a chegada da polícia. Ela relatou que o imóvel onde as lutas ocorreram está desocupado há cerca de quatro meses.
“Os policiais revistaram todos os jovens”, contou a moradora.
Este evento já teria ocorrido três vezes, com ingressos vendidos a R$ 30 para homens e R$ 25 para mulheres, vagas limitadas e duração prevista de até cinco horas. As lutas foram organizadas pelas redes sociais e aplicativos de mensagens, como Instagram e WhatsApp, onde os jovens compartilhavam informações sobre suas habilidades em combate.
Em um dos grupos, com mais de 800 participantes, um jovem dizia ser faixa azul e afirmou ter saído invicto de lutas contra pessoas em situação de rua. Uma fonte anônima relatou que tenta intervir para evitar que a situação piore.
“Estou tentando ajudar para que esses jovens não tenham seus destinos marcados por violência”, afirmou.
Recentemente, um episódio semelhante foi registrado no Guará II, com jovens brigando enquanto outras pessoas gritavam incentivos violentos, mostrando que essa prática pode se espalhar pelo Distrito Federal.
Especialistas alertam que essa prática é perigosa para a saúde dos adolescentes. O ortopedista Dr. Fabiano Cláudio explica que o corpo dos jovens ainda está em desenvolvimento, o que eleva o risco de lesões graves como concussões e fraturas.
“Isso não é uma brincadeira”, destacou.
A lutadora profissional e professora de muay thai Vitória Aparecida Pires, vice-campeã brasileira de boxe em 2023, reforça que o esporte deve ter acompanhamento, equipamentos de proteção, regras claras, árbitro e apoio médico. Sem isso, não pode ser considerado um evento esportivo seguro.
“Luta sem estrutura adequada não é brincadeira”, ressaltou.
Natty Vieira chama atenção para o papel das redes sociais na propagação desse tipo de comportamento. Ela diz que o acesso precoce a conteúdos violentos pode fazer com que os jovens se acostumem com a agressividade, o que exige cuidado constante das famílias, do poder público e da sociedade.
Entenda o caso
Adolescentes entre 15 e 19 anos organizaram, usando redes sociais, um evento clandestino de lutas no Lago Sul. As confrontações eram combinadas e tinham venda de ingressos para participantes e público. O evento, já em sua terceira edição, aconteceu em uma casa desocupada.
Apesar da presença policial no local, não há registro formal da ocorrência até agora. O Conselho Tutelar acompanha o caso e investiga possível participação de adultos. Especialistas seguem alertando sobre os riscos físicos e sociais dessa prática.

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