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Robô da Nasa descobre moléculas orgânicas que mostram que Marte já pode ter sido habitável

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O rover Curiosity, da Nasa, encontrou uma variedade de moléculas orgânicas em Marte, consideradas os elementos básicos para o surgimento da vida na Terra.

Mais de 20 compostos orgânicos foram identificados no solo marciano após um experimento químico inovador, oferecendo importantes indicativos de que o planeta já foi habitável.

Os resultados indicam que a superfície de Marte pode conservar moléculas que serviriam como pistas de vida antiga, principalmente porque algumas delas, como os heterociclos de nitrogênio, são componentes fundamentais dos ácidos nucleicos (DNA e RNA). Portanto, a presença desses elementos em rochas marcianas sugere que os ingredientes essenciais para a vida existiam e foram preservados por lá.

Essas moléculas foram localizadas em arenitos ricos em argila na Cratera Gale, estimada em cerca de 3,5 bilhões de anos, indicando que a química diversificada resistiu à radiação e a processos geológicos ao longo do tempo.

Embora o experimento não consiga comprovar se as moléculas são sinais de vida passada ou se foram produzidas por processos naturais ou trazidas por meteoritos, os pesquisadores explicam que elas podem ter se formado por processos químicos sem a intervenção de seres vivos, o que é chamado de produção abiótica. Para confirmar sinais reais de vida, seria necessário enviar essas amostras para análise na Terra.

O rover Curiosity, lançado em 2011 e pousado em Marte em 2012, é o maior robô explorador da história e tem a missão de investigar se Marte teve as condições necessárias para sustentar formas de vida simples. Até agora, ele já encontrou evidências químicas e minerais que sustentam ambientes habitáveis no passado do planeta vermelho.

A análise da matéria orgânica é fundamental para compreender a habitabilidade e a busca por vida em Marte, mas a simples identificação de moléculas orgânicas indica apenas que Marte tinha os elementos para a vida, não que ela realmente existiu.

As amostras foram retiradas de sedimentos em antigos lagos e rios da Cratera Gale, regiões ricas em argila, condições ideais para a conservação da matéria orgânica por bilhões de anos, o que reforça que o planeta apresentou um ambiente apropriado para a vida.

Amy Williams, professora de Ciências Geológicas na Universidade da Flórida e cientista das missões dos rovers Curiosity e Perseverance, destaca que a preservação da matéria orgânica antiga é vital para avaliar a habitabilidade e que é possível buscar sinais de vida a partir dessa matéria.

O experimento conduzido em 2020 na região de Glen Torridon revelou, entre diversas substâncias, uma molécula contendo nitrogênio similar aos precursores do DNA — uma descoberta inédita em Marte — e benzotiofeno, uma substância sulfurosa que normalmente chega aos planetas via meteoritos.

A pesquisadora comenta que o material que caiu sobre Marte por meteoritos é o mesmo que chegou à Terra e provavelmente forneceu os elementos básicos para a vida em nosso planeta.

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