Economia
BRB reúne acionistas para decidir aumento de capital
Dois dias após anunciar acordo para vender ativos à gestora Quadra Capital, o Banco de Brasília (BRB) realiza hoje uma assembleia de acionistas para discutir um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, essencial para garantir a continuidade e sustentabilidade das operações do banco a longo prazo.
Ainda não está definido como o governo do Distrito Federal (DF), controlador do BRB, obtém os recursos para esse aporte financeiro.
Uma das alternativas em estudo é a criação de um fundo lastreado na dívida ativa do DF, que permitiria vender cotas desse fundo no mercado, fornecendo dinheiro para o investimento no banco.
Essa operação funcionaria como uma securitização, utilizando créditos tributários em cobrança do governo do DF para lastrear o fundo. Também há possibilidade de emitir debêntures respaldadas por essa dívida ativa.
Com essa captação, o governo do DF reduziria o empréstimo necessário ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para socorrer o BRB, empréstimo esse previsto em até R$ 6,6 bilhões, que é a principal ação para apoiar o banco público atualmente.
Apesar do otimismo, as negociações com o FGC ainda não avançaram significativamente. É necessária a nomeação de um coordenador para o sindicato de bancos, papel já definido, mas com a instituição ainda não divulgada. Inicialmente, o grupo contará com quatro bancos, podendo chegar a seis, incluindo um banco público, com conversas frequentes com a Caixa.
Um desafio para a operação com o FGC é a garantia, porque os imóveis do governo do DF não são suficientes. A negociação da dívida ativa também pode contribuir para resolver essa questão.
Nas últimas semanas, a governadora Celina Leão e o presidente do BRB, Nelson de Souza, têm viajado frequentemente a São Paulo para discutir a situação com representantes financeiros e do FGC. O prazo para solucionar essa questão de capital é 29 de maio.
O acordo com a Quadra Capital, anunciado oficialmente na segunda-feira, prevê a venda de R$ 15 bilhões em ativos que pertenciam ao Master, atualmente na carteira do BRB, com uma primeira parcela de cerca de R$ 4 bilhões à vista e o restante a ser vendido por meio de cotas de um fundo a ser estruturado para administrar esses ativos.
Em nota, Celina Leão destacou a importância do acordo, afirmando que ele faz parte de um conjunto de medidas para fortalecer o BRB e manter seu papel estratégico no desenvolvimento do Distrito Federal.
Participantes das negociações apontam que essa operação pode diminuir a necessidade de provisionamento para a carteira de crédito do Master, o que reduziria o prejuízo do banco e, consequentemente, a necessidade de capital adicional.
Porém, existem entraves nas negociações para salvar o BRB, como a capacidade do governo de contrair empréstimos sem aval da União e o fato de faltarem menos de oito meses para o fim do mandato da governadora, podendo deixar dívidas para a administração seguinte.
Caso não seja possível levantar os recursos necessários, o BRB poderá enfrentar medidas mais drásticas, como privatização — rejeitada por Celina Leão — ou federalização, que atualmente não conta com apoio do governo federal.

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