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Centro-Oeste

Unidade, Força e Valor da Representação Política

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Em 1º de fevereiro de 1987, um grupo de 593 representantes de todo o Brasil começou a escrever uma nova Constituição para o país. Pela primeira vez na história, onze desses representantes foram eleitos pelo Distrito Federal, marcando um momento importante para a autonomia política da região. Este encontro, que aconteceu no Congresso Nacional, simbolizava o fim de um período autoritário de 21 anos e o retorno do Brasil ao caminho democrático.

Entre essas lideranças estavam figuras renomadas como Ulysses Guimarães, Delfim Netto, ACM, Pedro Simon e Lula. Para pessoas vindas de regiões mais simples, como Maria de Lourdes Abadia, ex-governadora, era uma experiência única estar participando de um momento tão histórico. Diversas comissões foram criadas para organizar os trabalhos e debater os desafios futuros do Brasil, incluindo a criação de um sistema de saúde pública, que posteriormente se tornou o SUS.

Durante este processo, a participação popular foi intensa e fundamental. Grupos de diversas causas — do movimento negro ao feminista, sindicatos e outras entidades — visitavam Brasília para pressionar e acompanhar os debates. O deputado eleito pelo Partido Comunista, Augusto Carvalho, lembra que o Congresso estava cheio de vida e energia, com muitas delegações representando diferentes regiões do país.

A bancada do Distrito Federal era unida, independente dos partidos políticos, pois todos compartilhavam o objetivo comum da autonomia política. Valmir Campelo, daquele período, comenta a harmonia existente entre os representantes, que conheciam bem o cotidiano local e queriam defender os interesses da população candanga.

O falecimento de Tancredo Neves pouco antes da posse também motivou a luta política dos representantes de Brasília, que adotaram sua frase memorável: “Conheço cidades cassadas, conheço grupos cassados, mas cidade cassada só conheço Brasília”. A partir daí, houve esforços para garantir que o Distrito Federal tivesse autonomia política, legislativa, administrativa e financeira, sendo governado por um governador e Câmara Legislativa próprios.

Essa autonomia foi resultado de muita negociação e articulação, inclusive com outros territórios que buscavam autogestão. A aprovação do capítulo da Constituição que garantia essa independência ocorreu em 28 de outubro de 1987, e foi um marco para Brasília.

O Lobby do Batom

Durante a Constituinte, as mulheres tiveram um papel importante. Com apenas 26 deputadas em um Congresso dominado por homens, o grupo se uniu e tornou-se conhecido como o “Lobby do Batom”. Lideradas por Maria Abadia, lutaram por direitos básicos, como a construção de um banheiro feminino no plenário do Congresso, demonstrando sua presença e força política apesar dos preconceitos enfrentados.

Até março de 2026, Maria Abadia foi a única mulher a governar o Distrito Federal, um exemplo da relevância da participação feminina na política local e nacional.

A história da Constituinte mostra como a união e a representação política forte podem transformar a realidade de uma população, garantindo direitos e autonomia para construir um futuro melhor para todos.

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