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Boulos critica oposição ao fim da escala 6 por 1
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, declarou nesta terça-feira (12) que a proposta para extinguir a escala de trabalho 6 por 1 enfrenta resistência devido aos interesses de grupos econômicos influentes no Brasil.
“Esses setores chegam a praticar terrorismo econômico para tentar adiar a análise da proposta no Legislativo”, afirmou no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Boulos explicou que os opositores da redução da jornada, que garante dois dias de descanso semanal ao trabalhador, tentam ainda impor prazos para que essa nova regra comece a valer. Isso, segundo ele, não terá o aval do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o ministro, ao apoiar a diminuição da jornada de trabalho, o presidente Lula enfrenta um poderoso sistema econômico.
“Mas foi essa a missão para a qual ele foi eleito”, acrescentou.
Conflito habitual
Segundo Boulos, as críticas fazem parte de um padrão recorrente sempre que há avanços em direitos trabalhistas, como ocorreu com a criação do salário mínimo, férias remuneradas e décimo terceiro salário.
“Trata-se de um verdadeiro terrorismo econômico, presente desde os tempos do presidente Getúlio Vargas, que instituiu a lei do salário mínimo em 1940. Hoje, há quem queira até eliminar esse direito, mas ninguém aceita isso”, explicou.
O ministro destacou que o debate deve se apoiar em dados concretos. Citou estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que aponta que a redução da jornada semanal para 40 horas aumentaria em cerca de 1% o custo operacional das empresas.
“Esse impacto é semelhante ao causado pela valorização real do salário mínimo, que ocorreu em todos os governos de Lula. Alguma empresa quebrou? Gerou desemprego? Pelo contrário, temos o menor índice de desemprego da história do Brasil e a economia cresce como não crescia há 12 anos”, destacou.
“Muita conversa de terrorismo para tentar inviabilizar, mas poucos fatos”, completou.
Boulos reforçou que a diminuição da jornada tem como um dos efeitos positivos o aumento da produtividade.
“Não é segredo que um trabalhador exausto rende menos. Cresceram os casos de esgotamento profissional, ansiedade, depressão. No ano passado, 500 mil trabalhadores foram afastados por problemas de saúde mental devido ao excesso de trabalho”, disse.
Impacto para as mulheres
O ministro ressaltou que a mudança beneficiará especialmente as mulheres, que frequentemente enfrentam dupla jornada.
“Enquanto o homem trabalha na escala 6 por 1 e tem um dia de folga, a mulher nessa mesma escala não descansa, pois dedica seu único dia livre ao trabalho doméstico”, explicou, destacando que as tarefas em casa transformam seu dia de descanso em mais trabalho.
Para Guilherme Boulos, extinguir a escala é também uma forma de corrigir essa desigualdade.
“Acabar com a escala 6 por 1 é garantir um alívio para as mulheres trabalhadoras deste país.”

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